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Bersani luta para superar impasse eleitoral na Itália

27 mar 2013
16h43
atualizado às 16h47

O líder da centro-esquerda italiana, Pier Luigi Bersani, ficou com apenas uma tênue esperança de formar um governo após o impasse eleitoral do mês passado, depois que negociações com líderes de partidos rivais terminaram com outra rejeição do Movimento 5 Estrelas, de Beppe Grillo.

O impasse na Itália vem sendo acompanhado por investidores, atentos para a crise que derrubou o governo de Silvio Berlusconi em 2011 e refletiu no aumento dos custos de empréstimos em um leilão de títulos observado de perto nesta quarta-feira.

Sem um acordo, o país pode estar caminhando para novas eleições, aumentando a incerteza na zona do euro que está batalhando para conter uma crise no Chipre.

A rejeição do 5 Estrelas era esperada, já que o grupo antiestablishment sempre disse que não iria apoiar os partidos que culpa pela crise econômica e social da Itália, mas recebeu um tempero adicional com um insulto postado no blog pelo ex-comediante Grillo.

Bersani disse que irá se reportar na quinta-feira ao presidente italiano, Giorgio Napolitano, e pediu a todos os partidos que "aceitem suas responsabilidades" e permitam que um governo seja formado, mas havia poucos sinais de movimento dos outros partidos.

"Não há condições que nos permitam dar um voto de confiança a um governo formado por esses partidos porque eles não têm credibilidade", disse o líder do 5 Estrelas no Senado, Vito Crimi, depois de se reunir com Bersani.

Alguns parlamentares ainda têm esperanças de alguma forma de acordo com a centro-direita, que permita a eleição de um novo presidente da República aceitável ao bloco do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi para suceder Napolitano, cujo mandato termina em maio.

No entanto, por enquanto a Itália continua em um impasse político depois da eleição, na qual a aliança de Bersani obteve uma maioria na Câmara dos Deputados, mas não no Senado, incapacitando-a a governar sozinha.

O principal marcador da confiança do investidor, o spread entre os títulos italianos de 10 anos e seus contrapartes alemães mais seguros, aumentou bastante nesta semana.

"Os riscos para a dívida italiana continuam muito altos nas próximas semanas", disse a economista de mercado da Newedge em Londres Annalisa Piazza.

"Embora as consultas de Bersani com outros líderes partidários possam levar a um governo de grande coalizão, os mercados estão cientes de que tal governo não vai durar muito", ela disse.

Se ele não puder alcançar um acordo, Napolitano pode apontar alguém respeitado para tentar formar um governo tecnocrata ou uma grande coalizão pluripartidária. Se isso falhar, a Itália enfrenta a perspectiva de voltar às urnas, possivelmente em meses.

INSULTOS

Acrescentando insulto à injúria, Grillo postou depois um registro em seu popular blog, chamando os políticos tradicionais, incluindo Berlusconi e Bersani, de "velhos devassos... que alegremente mijam todos os dias com seus apelos diários à governabilidade".

Bersani descartou formar uma coalizão com a centro-direita de Berlusconi, a segunda maior força no Parlamento, que diz que uma aliança das duas principais forças políticas é a única maneira de dar um governo à Itália.

Ele também subestimou conversas de um acordo sobre a Presidência, uma exigência central do partido Povo da Liberdade (PDL) de Berlusconi.

"Não me foi colocado nesses termos. Não se pode especular sobre nenhum acordo sobre o governo e o gabinete do presidente da República", disse Bersani.

Bersani esperava ganhar apoio do Movimento 5 Estrelas para uma plataforma limitada de reformas institucionais e econômicas, e ele disse que o partido de Grillo teria que justificar sua recusa de apoiar um governo no Parlamento. No entanto, as declarações de Grillo parecem ter acabado com qualquer perspectiva de acordo.

(Por James Mackenzie, com reportagem adicional de Paolo Biondi)

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