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Bento XVI é aclamado pelos jovens em Madri

18 ago 2011
14h14
atualizado às 14h33

Às centenas de milhares, ao longo das avenidas, agitando bandeiras coloridas, atirando no papamóvel uma chuva de confete, jovens do mundo inteiro receberam com alegria o Papa Bento XVI nesta quinta-feira, em Madri.

Multidão com bandeiras de diversas países, inclusive a do Brasil, aguarda para ver o Bento XVI em Madri
Multidão com bandeiras de diversas países, inclusive a do Brasil, aguarda para ver o Bento XVI em Madri
Foto: Reuters

"É uma prova de que a juventude católica é muito viva", comentou Jesus Godoy, um seminarista de 27 anos vindo da Venezuela para participar da Jornada Mundial da Juventude.

"Viva o papa", "Somos a juventude do papa", gritavam a seu lado jovens peregrinos, com camisetas coloridas e que, desde segunda-feira, deixam explodir sua fé nas ruas de Madri.

Sob um céu cinzento, a recepção a Joseph Ratzinger pelo rei Juan Carlos e a rainha Sofia foi calorosa: atrás deles, um grupo de crianças vestidas com roupas imitando a guarda suíça aplaudia e gritava, numa alegria transbordante.

No início da visita de quatro dias, Bento XVI pintou um quadro sombrio da sociedade ocidental: "os jovens veem a superficialidade, o consumo e o hedonismo reinantes, a banalização da sexualidade no momento de vivê-la, em meio a tanta falta de solidariedade, tanta corrupção!".

Bento XVI atacou a precariedade do emprego que faz com que "muitos olhem com preocupação o futuro", num momento em que a Espanha conhece uma taxa de desemprego juvenil particularmente elevada: 46,1% das pessoas entre os 16 e os 24 anos.

Ao chegar a Madri, o papa também defendeu uma economia regulada, privilegiando "o homem" em vez do lucro a qualquer preço, após incidentes noturnos entre policiais e defensores da laicidade do Estado, que denunciavam o custo do evento.

"O homem deve estar no centro da economia", "isso se confirma na crise atual. A economia não poder ser medida pelo maior lucro", declarou, antes de descer do avião.

O centro da economia não está no lucro, mas na solidariedade, havia dito antes, num momento em que planos de austeridade na Espanha e em outros países europeus tentam pôr um freio ao endividamento e à especulação, ao preço de um grande descontentamento social.

Nesta quinta-feira, dezenas de milhares de jovens, ao longo das avenidas em torno da praça Cibeles, no centro de Madri, aguardavam fervorosamente a cerimônia de boas-vistas prevista para o final do dia, com um espetáculo equestre e uma parada aérea.

Desde o começo da semana, a cidade está no ritmo da JMJ: avenidas engalanadas, ruas com o trânsito desviado nos grandes eixos, alto-falantes divulgando cantos religiosos e música pop.

Mas, ante a pompa da recepção e o custo da visita - 50,5 milhões de euros, segundo os organizadores - os defensores de um estado leigo se mobilizaram. Na quinta-feira à tarde, um coletivo de defesa de homossexuais e transexuais tentava se misturar à festa, protestando com uma sessão de beijos.

Na quarta-feira à noite, milhares de defensores da laicidade haviam se manifestado na capital espanhola, aos gritos de "sou pecador, pecador, pecador".

"Essas pessoas tentaram roubar meus pertences, dizendo que era tudo deles. Mas eu ajudei a pagar o evento", dizia Jesus Godoy, apontando para a mochila vermelha e laranja que cada peregrino recebe em troca do pagamento da inscrição. "Respondemos com a mensagem de Cristo, com uma mensagem de paz, com uma bênção", acrescentou o seminarista.

Joseph Ratzinger falou, por sua vez, da "imensa alegria" de presidir a JMJ, que descreveu como "uma brisa de ar puro e juvenil" que "enche de confiança o futuro da Igreja". A JMJ "é uma cascata de luz para mostrar a presença de Deus", disse.

Na cidade, milhares de peregrinos atravessavam pontes, avenidas e se protegiam do sol forte com sombrinhas, agitando bandeiras de Argentina, Bélgica, Irlanda, Canadá, em meio à mobilização de 10 mil policiais.

"É como uma grande festa em família", comentou Kahamba Assina, uma jovem africana de 25 anos vinda de Kinshasa, na República Democrática do Congo.

"Não nos conhecemos e às vezes não nos compreendemos, mas trocamos sorrisos, olhares, é uma grande alegria", descreveu uma jovem que entoava um cântico de boas-vindas em swahili, junto de suas amigas.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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