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Bento XVI: Deus não é 'absurdo', mas uma realidade misteriosa

21 nov 2012 13h57
| atualizado às 14h18
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Deus "não é absurdo", mas uma realidade misteriosa, às vezes, obscura por ser justamente deslumbrante, declarou nesta quarta-feira o papa Bento XVI durante uma audiência geral semanal no Vaticano, em um novo debate sobre a aliança entre a fé e a razão.

Bento XVI abordou os mistérios da fé durante audiência no grande salão Paulo VI do Vaticano
Bento XVI abordou os mistérios da fé durante audiência no grande salão Paulo VI do Vaticano
Foto: AP

"Misterioso, Deus não é absurdo. Se diante do mistério a razão vê apenas escuridão, não é devido à ausência de luz, mas a seu excesso", disse o Papa teólogo para sete mil fiéis reunidos no grande salão Paulo VI.

Bento XVI fez uma comparação com a luz do sol: "ela cega quando fixamos o olhar no sol, mas ninguém dirá que não é luminosa. A fé permite olhar o sol de Deus que se aproximou do homem para ser conhecida", considerou.

"Ao mesmo tempo, por sua graça, Deus clareia a razão, ao abrir novos horizontes infinitos e incomensuráveis", ressaltando que "a fé católica não se opõe a uma razão honesta" dos homens à procura da verdade, nem da busca científica.

Joseph Ratzinger se opõe regularmente a um positivismo científico que explica tudo pela ciência, recusando qualquer transcendência. Ele vê nisso um perigo à liberdade do homem. Na ciência, "devemos encorajar tudo o que é favorável à vida, como a luta contra a doença, ou a busca para revelar os segredos da Terra e do universo", analisou.

Ao reiterar seus argumentos constantes contra uma fé mágica ou supersticiosa, Joseph Ratzinger, que concentrou sua obra de teólogo sobre a questão da razão e da fé, considerou que "a tradição católica sempre rejeitou o fideísmo, que é a vontade de acreditar contra a razão".

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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