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Avião presidencial "Air Sarko One" vira polêmica na França

1 jul 2010
06h09
atualizado às 07h12

O novo avião presidencial da França, um aparelho de segunda mão que a imprensa batizou de "Air Sarko One", supõe uma despesa de 176 milhões de euros aos cofres do Estado enquanto a Presidência anuncia cortes no Executivo.

Ao invés de encomendar um novo aparelho à filial da EADS, o governo escolheu a opção "mais econômica" e adquiriu no mercado um A300-200 da companhia aérea Air Caraibes, para o qual a imprensa encontrou um irônico pseudônimo que faz alusão ao célebre avião que transporta o inquilino da Casa Branca, o Air Force One.

"O presidente da República deveria se incluir na lista de economia que pede aos outros", declararam fontes do Grupo Socialista na Assembleia Nacional.

As vozes discordantes, em especial a do ex-primeiro-ministro Dominique de Villepin e a da ex-candidata à Presidência Ségolène Royal, criticam que o chefe do Estado tenha pedido sobriedade e se esquivado de baixar o seu próprio salário e renunciar a seu novo avião, cujo custo por hora de voo ronda os 20 mil euros.

Até começar a transportar o presidente e os ministros do Executivo francês em outubro, a polêmica aeronave descansa em um aeroporto de Bordeaux onde recebe os últimos retoques.

Seu desenho original, com capacidade para 324 pessoas, será modificado para receber 60 passageiros e deixar espaço para um quarto presidencial com chuveiro, salão, uma sala de reuniões e um centro médico.

Além disso, o avião será equipado com a última moda em telecomunicações em voo (telefonia, fax, computador e internet para enviar mensagens codificadas) e um chamariz antimísseis para garantir a segurança do comandante do Estado quando a aeronave decolar em zonas de conflito.

A mudança de avião, que substitui um Airbus A319 comprado há menos de uma década e cujo custo foi incluído no Orçamento de 2010, responde à necessidade de ganhar autonomia de voo, explica o Ministério da Defesa.

Sua aquisição, criticada pela oposição desde que foi divulgada, se justifica porque o Airbus que levará Nicolas Sarkozy pelo mundo pode percorrer mais de 11 mil quilômetros sem escalas, frente aos 7 mil quilômetros de seu antecessor, dos tempos do ex-presidente Jacques Chirac e que agora está a venda.

Ou seja, o chefe do Estado e os membros do Executivo que utilizarem o avião poderão programar voos diretos a Pequim ou a costa oeste dos Estados Unidos, mas também a territórios ultraperiféricos franceses como à ilha da Reunión, no oceano Índico.

Os socialistas acrescentaram que "todos os presidentes usaram esses aviões que faziam escalas", por isso "é preciso se perguntar quais são as urgências orçamentárias e se o avião presidencial entra nelas".

Os detalhes sobre a substituição do avião presidencial vazaram à imprensa coincidindo com a decisão de Sarkozy de apertar o cinto governamental para se adequar aos novos tempos de austeridade econômica.

"A luta contra o desperdício será sistemática, em todos os níveis da administração", advertiu o presidente francês esta semana, quando anunciou uma bateria de medidas de sobriedade nos deslocamentos de ministros e altos funcionários, o número de carros oficiais e as cerimônias e recepções.

O "imperativo moral" encorajado por Sarkozy acontece depois que vários escândalos relacionados com o esbanjamento do dinheiro público salpicaram em vários membros do Executivo, como o caso do secretário de Estado de Desenvolvimento da Região da Capital, Christian Blanc, que chegou a gastar 12 mil euros em puros, a costa do erário.

No Palácio do Eliseu, onde a poupança levou ao cancelamento no dia 14 de julho da tradicional "Garden Party" para comemorar o dia da República, preferem não fazer comentários sobre o avião com o qual Sarkozy deve cruzar os céus.

EFE   

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