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Após caçar elefantes, rei espanhol perde posto em ONG

21 jul 2012
11h57
atualizado às 12h57

A representação espanhola do Fundo para a Protecção da Natureza (WWF, na sigla em inglês) eliminou neste sábado de seus estatutos o posto de presidente de honra, que era ocupado pelo rei da Espanha, Juan Carlos I.

A decisão foi tomada três meses depois de o monarca ter participado de uma caçada de elefantes em Botswana. Os membros da organização na Espanha chegaram a essa decisão com 94% dos votos a favor em uma assembleia geral extraordinária realizada a portas fechadas no Jardim Botânico de Madri.

A WWF-Espanha informou, através de um comunicado, que 226 membros se posicionaram favoráveis ao fim do cargo e outros 13 votaram contra. Houve ainda um voto nulo e cinco abstenções.

Os membros tiveram que debater e votar a proposta de supressão do artigo 6 dos estatutos sociais, segundo o qual "é presidente fundador e de honra da associação vossa majestade o rei Juan Carlos I da Espanha". O monarca ocupava o posto desde 1968.

O secretário-geral na Espanha da ONG, Juan Carlos del Olmo, afirmou que o rei foi nomeado na ocasião por proposta de um grupo de pessoas interessadas na natureza e na caça, já que naquela época era frequente ver "a natureza através da caça", mas agora "a organização evoluiu".

A direção da WWF-Espanha decidiu em abril iniciar os trâmites para mudar seus estatutos e prescindir, se assim desejassem os membros, de figuras de honra.

No comunicado, a organização reconheceu que a assembleia de hoje aconteceu devido à "ampla controvérsia" gerada em relação à caçada da qual participou o rei em Botsuana, e do mal-estar dentro e fora da Espanha.

A ONG lembrou que, embora esse tipo de caça seja legal e regulado, foi considerado "incompatível" por muitos de seus membros com a presidência de honra de uma entidade internacional "de defesa da natureza e do meio ambiente, e uma das quais mais esforços e recursos dedica à conservação de espécies em risco de extinção".

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