
- Viviane Vaz
- Direto de Bruxelas
O ataque de um homem-bomba no aeroporto de Burgas, na Bulgária, a um ônibus repleto de turistas israelenses na última quarta-feira colocou a Europa em alerta. Trata-se do primeiro atentado no velho continente desde a explosão de três bombas no metrô de Londres em 2005. A polícia búlgara, assim como autoridades policiais europeias e internacionais, como a Interpol, investigam o incidente que matou seis pessoas e deixou 30 feridos.
O especialista em controle de fronteiras do Instituto para Estudos de Segurança (ISS) na Europa, Patryk Pawlak, explica que desde os atentados em Nova York e Londres, a União Europeia introduziu novas iniciativas para lutar contra o terrorismo. "Ninguém estava desatento, mas este ataque mostrou que há ainda um grande vão entre as medidas de segurança", disse o analista ao Terra. Patryk chama atenção ao fato de que este ataque acontece em um momento em que as autoridades europeias estão "muito mais alertas" após um campeonato europeu e antes dos Jogos Olímpicos que se iniciam este mês em Londres.
"Estamos conscientes de que o terrorismo não tem dimensão geográfica e afeta a toda União Europeia, e por isso temos que nos manter vigilantes", disse ontem a porta-voz da Comissão Europeia, Michele Cercone, aos jornalistas em Bruxelas. Ela destacou que diferentes ações de cooperação estão sendo levadas a cabo, mas as principais medidas de atuação contra o terrorismo ficam ainda dentro da esfera estatal de cada país do bloco. "O que podemos fazer é assegurar a coordenação europeia para que cada Estado-membro tenha os benefícios dos instrumentos e iniciativas", completou.
O bloco também deve acompanhar de perto a cooperação com países do leste. A Bulgária integra a UE desde 2007, mas ainda não faz parte do acordo Schengen (sobre livre circulação de pessoas, mercadorias e serviços na UE). Na quarta-feira, horas antes do atentado, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso havia feito um pronunciamento especial sobre Romênia e Bulgária e pedido aos países para continuarem com o dever de casa da integração europeia. "Precisamos ver resultados convincentes contra o alto nível de corrupção e crime organizado", disse.
Patryk também destaca que há uma longa discussão entre a imigração ilegal e suas potenciais ligações com o terrorismo. Informes recentes indicam que países como Grécia e Turquia têm sido utilizados como as principais novas portas de entrada de migrantes irregulares na Europa. "Os mesmos grupos que são utilizados para infiltrar imigrantes ilegais podem ser utilizados para infiltrar terroristas", explica o especialista do ISS. Segundo ele, os grupos que preocupam mais são a Al-Qaeda no Magreb islâmico.
Para o especialista, além de melhorar o monitoramento interno no bloco e a implementação de medidas já existentes, outra medida para aumentar a segurança no bloco continuará a ser a cooperação internacional. "Uma grande parte é com os EUA, mas a UE também tem realizado muitos projetos de cooperação com a África e com o Oriente Médio, zonas onde a situação é mais preocupante", indica o analista político europeu.

