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Após 10 anos, explosão do submarino Kursk ainda é um mistério

12 ago 2010
08h46
atualizado às 11h35

Às 11h29 (horário local) do dia 12 de agosto de 2000, a primeira explosão atingiu o submarino nuclear russo Kursk enquanto ele participava de uma série de exercícios no Mar de Barents, localizado ao norte da Rússia e da Noruega. Dois minutos mais tarde, uma nova explosão de até sete ogivas com um impacto equivalente a 2 t ou 3 t de TNT - capaz de ser registrada em sismógrafos do norte da Europa - abalou a embarcação. De acordo com informações do governo russo na época, as explosões preencheram o submarino de chamas, o que levou à morte todos os seus tripulantes.

O submarino Kursk afundou no Mar de Barents em agosto de 2000, por razões nunca esclarecidas, deixando 118 mortos
O submarino Kursk afundou no Mar de Barents em agosto de 2000, por razões nunca esclarecidas, deixando 118 mortos
Foto: AFP

Apesar de registrarem as explosões, os demais navios que participavam do exercício consideraram que elas faziam parte da manobra. Apenas à noite, quando o comando do Kursk falhou em se comunicar com o comando, uma operação de resgate foi lançada. Os primeiros submarinos de busca só alcançaram o Kursk, localizado a uma profundidade de 108 m, no fundo do Mar de Barents, às 8h40 da manhã seguinte.

Contudo, as primeiras tentativas de entrar no submarino fracassaram e o mau tempo impediu que novas tentativas fossem feitas nos dias seguidas. Os Estados Unidos e o Reino Unido ofereceram o empréstimo de embarcações de resgate, mas elas foram recusadas pelo governo russo. Apenas no dia 16 de agosto, o Kremlin aceitou ajuda britânica e norueguesa, que chegaram ao local da tragédia no dia 19. Apenas no dia 20, as embarcações britânicas e norueguesas conseguiram alcançar o nono compartimento do Kursk, determinar que ele estava alagado e que não havia mais esperanças de encontrar sobreviventes.

Resgate
Ao contrário do que as autoridades russas afirmaram em um primeiro momento, tripulantes do submarino conseguiram sobreviver às duas explosões. De acordo com um bilhete encontrado junto ao corpo do tenente-capitão Dmitry Kolesnikov, pelo menos 23 pessoas conseguiram se refugiar em um compartimento.

"Toda a tripulação dos sexto, sétimo e oitavo compartimentos foi até o nono. Vinte e três pessoas estão aqui. Nós tomamos essa decisão como um resultado do acidente. Nenhum de nós consegue alcançar a superfície. E eu estou escrevendo às cegas", escreveu Kolesnikov. No entanto, a demora no resgate também levou os sobreviventes à morte. Não se sabe por quanto tempo eles conseguiram resistir.

Os corpos das vítimas levaram anos para ser totalmente recuperados. O último funeral de militares mortos foi realizado apenas em 23 de março de 2002. Dos 118 tripulantes, 115 tiveram seus corpos identificados e outros três foram considerados irrecuperáveis.

Causas do acidenteAs primeiras investigações das causas do acidente apontaram para três teorias mais prováveis: o submarino havia sido atingido por uma grande explosão, colidiu com o fundo do mar ou se chocou com outra grande embarcação. Especialistas americanos que ajudaram na apuração divulgaram no fim de agosto de 2000 que acreditavam que as explosões tinham sido causadas por um combustível volátil de um dos torpedos ou por um míssil anti-navio que o submarino carregava.

Em 29 de outubro de 2001, o vice-premiê Ilya Klebanov, indicado por Putin para comandar as investigações sobre o naufrágio, divulgou que o acidente foi provocado pela explosão de um de seus torpedos. "O que está absolutamente claro é que a destruição sobre a qual falamos no ano passado foi causada pela explosão inicial de um dos seus torpedos", afirmou Klebanov a televisões russas na época. No entanto, ele não informou o que causou essa explosão - um mistério que não foi esclarecido até hoje.

Com informações da rede de notícias britânica BBC

Fonte: Redação Terra

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