atualizado às 11h15

'Al-Jazeera' decide não divulgar vídeos de atirador francês

 

A cadeia de televisão Al-Jazeera, com sede no Catar, anunciou nesta terça-feira que decidiu não divulgar os vídeos dos assassinatos cometidos por Mohamed Merah, conhecido como o atirador de Toulouse. A decisão foi comunicada no site da emissora.

"De acordo com seu código ético e já que o vídeo não acrescenta nenhuma informação que já não seja de domínio público, a Al-Jazeera não divulgará seu conteúdo", explicou em um comunicado um porta-voz do canal.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, e as famílias das vítimas pediram anteriormente que as televisões não divulgassem estas imagens. Os canais de televisão franceses anunciaram que atenderiam ao pedido para evitar qualquer "apologia do terrorismo". "Peço aos diretores de todos os canais que não o exibam sob nenhum pretexto", afirmou Sarkozy em um discurso para policiais e magistrados.

O vídeo é uma montagem das imagens dos assassinatos gravados por Mohamed Merah, o jihadista que morreu baleado pela polícia na semana passada, com uma minicâmera, "armazenado em um pen-drive" que se encontrava em um envelope com um carimbo de quarta-feira e que foi enviado à rede parisiense da Al-Jazeera.

Mohamed Merah não enviou pessoalmente a correspondência, que foi despachada "de fora de Toulouse", informou nesta terça-feira uma fonte policial. Os investigadores buscam a pessoa que teria feito o envio.

Latiga Ibn Ziaten, de 52 anos, mãe de um dos três soldados assassinados pelo jihadista, disse estar aliviada ao conhecer a decisão da Al-Jazeera. "É bom, é a decisão correta, era a única decisão que podia ser tomada", declarou à AFP por telefone do Marrocos. "Agora mesmo estou aliviada, porque era a honra de meu filho (o que estava em jogo). Não quero que se suje (a memória de) meu filho", insistiu.

Segundo o chefe do escritório em Paris da Al-Jazeera, Zied Tarrouche, o vídeo mostra "todos os ataques realizados em Toulouse e em Montauban em ordem cronológica". "Há uma mistura de música e de cantos religiosos, de leituras, de recitações de versos corânicos", detalhou Zied Tarrouche, e informou que são ouvidos "os gritos das vítimas". Uma cópia do vídeo foi enviada pelo canal à justiça.

O governo francês também denunciou nesta terça-feira as declarações do pai do jihadista, Mohamed Benalel Merah, que declarou na véspera à AFP que processaria a França por ter matado seu filho. Sarkozy manifestou sua indignação, enquanto o ministro do Interior, Claude Guéant, chamou estas declarações de particularmente odiosas, indecentes. "Se fosse o pai de tal monstro, eu ficaria calado pela vergonha", comentou o ministro das Relações Exteriores, Allain Juppé.

O caso
Mohammed Merah, um francês de origem argelina de 23 anos, foi morto por agentes da força especial da polícia francesa no dia 22 de março após permanecer cercado em seu apartamento por mais de 30 horas. Ele era acusado de matar sete pessoas em três ataques realizados desde o dia 11 de março no sul da França. No mais grave, quatro pessoas morreram, um adulto e três crianças, em frente a uma escola judaica de Toulouse. Durante o cerco, segundo o ministro do Interior francês, Claude Guéant, Merah afirmou que o que pertencia à Al-Qaeda e que cometeu os ataques para vingar as crianças palestinas e punir o Exército francês por enviar tropas para o Afeganistão.

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