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Advogados italianos anunciam greve após declarações polêmicas de ministra

4 jul 2013
13h31
atualizado às 13h51

Advogados italianos vão entrar em greve na próxima semana, afirmou a categoria nesta quinta-feira, para protestar contra as medidas destinadas a simplificar os processos civis e as declarações da ministra da Justiça de que eles estavam bloqueando reformas.

Um dos julgamentos que poderiam sofrer atrasos era o de Francesco Schettino, capitão do Costa Concordia, acusado de homicídio culposo por conduzir o navio de cruzeiro em direção a uma rocha no ano passado, causando 32 mortes ao naufragar.

A greve, que deverá afetar os julgamentos que acontecem entre 8 e 16 de julho, destaca a profunda resistência de muitas categorias e setores econômicos da Itália aos esforços para romper barreiras estruturais e abrir a economia.

No caso da área do Direito, as dificuldades foram aumentadas pelo grande número de advogados no Parlamento, que tem 107 advogados, mais de 10 por cento do total dos membros da Câmara e do Senado.

A greve foi convocada depois que o governo do primeiro-ministro, Enrico Letta, aprovou um decreto que pretende acelerar processos civis, que agora duram uma média de quatro anos.

A principal entidade que representa os advogados, a OUA, disse que a exigência do decreto de que haja uma rodada de mediação para tentar evitar um longo julgamento era "inconstitucional e fadada ao fracasso".

A ministra da Justiça, Annamaria Cancellieri, uma tecnocrata que foi ministra do Interior no governo anterior, liderado por Mario Monti, contrariou advogados na terça-feira ao dizer durante uma conferência de negócios em Roma que "advogados, os grandes lobbies, impedem nosso país de se tornar um país normal".

Mais tarde no mesmo dia, um comentário captado inadvertidamente por microfones em outra conferência irritou ainda mais.

Quando a conferência foi interrompida por protestos de advogados, ela se virou para outros oradores e disse: "Vou falar com eles para tirá-los de nossas costas."

Esse comentário fez representantes da entidade de advogados abandonar uma reunião com a ministra agendada para o dia seguinte.

(Reportagem de Antonella Cinelli e Steve Scherer)

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