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Acusado de acobertar pedofilia, Bento XVI deixará desafio para sucessor

Pelo menos 4 mil casos de pedofilia foram denunciados ao Vaticano nos últimos 10 anos. Novo papa terá desafio de dar resposta a fiéis pelos crimes

11 fev 2013
12h52
atualizado às 13h24
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Antes de renunciar o comando da Igreja Católica por motivos de saúde, Bento XVI enfrentou um dos momentos mais delicados como pontífice entre 2009 e 2010, quando vieram à tona denúncias de que ele teria acobertado casos de pedofilia envolvendo padres. Associações de direitos humanos chegaram a apresentar uma denúncia ao Tribunal Penal Internacional, em Haia, acusando o Papa de crimes contra a humanidade por ter tolerado e ocultado sistematicamente abusos sexuais contra crianças em todo o mundo.

Pesaram sobre Bento XVI acusações de que ele, quando cardeal em 1980, não teria feito nada para impedir que um padre acusado de pedofilia retomasse o sacerdócio em uma paróquia da Alemanha. O jornal The New York Times também noticiou um caso similar nos Estados Unidos. Então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, órgão do Vaticano responsável por investigar esse tipo de crime, ele teria se recusado a punir um padre acusado de ter molestado 200 crianças em uma escola do Wisconsin.

Bento XVI saúda católicos pela primeira vez como Papa após Conclave, em 19 de abril de 2005
Bento XVI saúda católicos pela primeira vez como Papa após Conclave, em 19 de abril de 2005
Foto: AFP

O Vaticano negou as acusações do jornal e disse que Bento XVI sempre foi um guia contra a "cultura do silêncio" na Igreja Católica de esconder os casos de padres pedófilos. Sobre o caso alemão, a Igreja disse que o então arcebispo Joseph Ratzinger não estava a par da decisão de reintegrar o padre acusado de pedofilia, que teria sido feita pelo vigário geral na época, monsenhor Gerhard Gruber. Sobre o padre americano, o Vaticano afirmou que Bento XVI só teve conhecimento das denúncias muitos anos depois, quando o idoso sacerdote já estava muito doente.

Após uma onda de protestos em diversos países onde padres foram acusados de abusos contra crianças e adolescentes, o próprio Bento XVI deu explicações e pediu desculpas aos fiéis pelos erros da Igreja. O Papa ainda pediu cooperação aos bispos de todo o mundo, que têm responsabilidade direta sobre os padres, para adotar uma política de tolerância zero aos pedófilos.

No entanto, passados quase oito anos de Bento XVI a frente da Igreja Católica, os problemas envolvendo abusos de padres ainda estão longe de acabar. William Levada, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, revelou no começo de fevereiro que um total de 4 mil casos de abusos sexuais contra menores foram recebidos nos últimos 10 anos pelo Vaticano e admitiu que a resposta da Igreja foi "inadequada".

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Embora não exista um estudo em nível mundial, especialistas apontam que só nos Estados Unidos estima-se que o número de crianças vítimas de abusos sexuais por clérigos chega a 100 mil. Há também centenas de registros do crime em países como Irlanda, Alemanha, Austrália, Áustria, Bélgica, Brasil, Canadá, Chile, Índia, Holanda, Filipinas e Suíça, entre outros. Com a renúncia de Bento XVI, caberá ao novo papa o desafio de evitar que esses casos se repitam e recuperar a confiança de milhões de fiéis.

Fonte: Terra
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