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A viagem 'multiétnico' de Francisco para Equador, Bolívia e Paraguai

30 jun 2015
16h51
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O papa Francisco viaja para a América Latina pela segunda vez para visitar Equador, Bolívia e Paraguai, uma agenda marcada pelo espírito 'multiétnico e multicultural' destes países, com uma variedade de populações indígenas, afro-americanas, e de idiomas.

"Para preparar a viagem, levamos em conta a variedade e a riqueza das diferentes etnias e populações destes países: os grupos indígenas, a realidade mestiça e os idiomas locais, como quéchua, aimara, guarani", admitiu nesta terça-feira o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, após ilustrar à imprensa as principais etapas de 5 a 13 de julho.

"Será uma viagem intensa", admitiu o jesuíta que, assim como o papa argentino, é particularmente sensível à história do continente americano e aos seus conflitos passados e recentes, como o do Chile com a Bolívia por uma saída para o mar, que o papa argentino não abordará para evitar polêmicas.

"O papa quis ir aos países menores e menos importantes. Este foi seu critério", reforçou Lombardi.

Depois da viagem ao Brasil em 2013, pouco depois de sua eleição como pontífice para celebrar a Jornada Mundial da Juventude, Francisco visitou regiões e países que se caracterizam por ser os mais pobres e esquecidos.

Foi assim com a ilha de Lampedusa, um ícone do drama da imigração ilegal e na Itália, e com a Albânia, uma das nações mais pobres da Europa.

Nos três países, o pontífice argentino permanecerá 48 horas, as quais dividirá em duas etapas e que incluem Quito e Guayaquil, no Equador; La Paz e Santa Cruz, na Bolívia; Assunção e Caacupé, no Paraguai.

Espera-se a assistência de um milhão a dois milhões de pessoas nas missas que celebrará. No total, o pontífice fará 22 discursos e homilias e embarcará em sete aviões.

O porta-voz do papa reforçou que se trata de uma viagem "segura", tanto do ponto de vista médico quanto físico, pois não se teme por sua integridade devido à admiração que o pontífice desperta em sua região de nascimento.

Para evitar problemas relacionados com a altitude, pois teve um pulmão extirpado na juventude, o papa, de 78 anos, poderá mastigar folhas de coca na Bolívia, um hábito ancestral há décadas pelo presidente Evo Morales.

"O papa agirá como achar oportuno", afirmou Lombardi.

Segundo a página na internet Vatican Insider, também João Paulo II, durante viagem à Bolívia em 1988, bebeu a infusão de folhas de coca que lhe ofereceram para mitigar os efeitos da altitude.

Nos três países, ele usará um papamóvel aberto, um todo terreno, preparado localmente e para trajetos mais rápidos usará um carro comum, não será blindado, segundo Lombardi.

Algumas etapas serão particularmente difíceis, como a chegada a 8 de julho ao aeroporto de El Alto, a mais de 4.000 metros de altitude.

"Foram programadas etapas breves e evitou-se que pernoitasse em cidades com muita altitude", contou Lombardi.

No Equador, o papa celebrará duas missas campais, uma em Quito, com representantes de populações indígenas do Amazonas, acompanhada de cantos, leituras em quéchua e ritmos musicais, como o que acompanhou o cadáver de Atahualpa, considerado o último governante do império inca.

Na Bolívia, Francisco prestará homenagem ao jesuíta espanhol Luis Espinal, vítima da repressão que antecedeu o golpe militar de 1980.

Jornalista e cineasta, defensor dos direitos humanos, Espinal foi torturado e assassinado por paramilitares de direita não muito longe do aeroporto de El Alto, onde o papa se recolherá para rezar.

Também na Bolívia, ele participará, em Santa Cruz, do II Encontro Mundial de Movimentos Populares, com desalojados, desempregados, catadores, camponeses sem terra e movimentos de base, e visitará a prisão de Palmasola, com seus quase 3.000 presos.

"O papa os apoia na construção de uma nova sociedade de baixo para cima", afirmou Lombardi.

No Paraguai, o pontífice visitará a região de Bañado Norte, uma área pobre de Assunção, e escutará as queixas, entre outros, da comunidade homossexual no "Encontro com os construtores da sociedade", o último ato antes de voltar a Roma e ao Vaticano, após nove dias de viagem.

Em setembro, entre os dias 19 e 28, fará nova viagem, desta vez a Cuba e aos Estados Unidos, como mensageiro de reconciliação após mais de meio século de antagonismo entre os dois países.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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