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'É uma infâmia', diz Sarkozy sobre suposto financiamento de Kadafi

29 abr 2012
09h16
atualizado às 12h32

O presidente francês e candidato à reeleição, Nicolas Sarkozy, chamou de "infâmia" as acusações do site francês Mediapart sobre um suposto financiamento de sua campanha presidencial de 2007 pelo líder líbio Muamar Kadafi, morto no ano passado. "É uma infâmia. Quando penso que existem jornalistas que se atrevem a dar crédito ao que disse o filho de Kadafi e seus serviços secretos (...). É uma vergonha que me façam essa pergunta", disse Sarkozy em entrevista publicada hoje no jornal Le Parisien.

"Cinquenta milhões de euros... por que não 100? Para uma campanha que vale 20. Há que se chegar a uma conclusão: minha campanha foi financiada pelos submarinos paquistaneses, por Kadafi ou pela senhora (Liliane) Bettencourt (dona da empresa de cosméticos L'Oréal)?", acrescentou Sarkozy, referindo-se a outras acusações e investigações judiciais sobre suspeitas de financiamento ilegal.

"O Mediapart está acostumado à mentira e vocês dão crédito ao que dizem a gente de Kadafi", disse o presidente. "A guerra na Líbia durou oito meses. Quem lutou nessa guerra? Quem liderava a coalizão para derrubar Kadafi? A França...Talvez eu tenha sido o motor para isso", acrescentou.

Sarkozy também qualificou a denúncia como um complô de seus opositores socialistas para desviar a atenção da reaparição pública do ex-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, que era o favorito para a indicação do partido à eleição presidencial antes de ter sido preso em maio por acusações de abuso sexual a uma camareira de um hotel de Nova York.

Em uma entrevista publicada no londrino Guardian de sexta-feira, Strauss-Kahn teria dito que, embora não acredite que seu oponente tenha criado o encontro com a camareira Nafissatou Diallo, ele acha que pessoas ligadas a Sarkozy desempenharam um papel em garantir que ela fosse até a polícia, provocando um grande escândalo internacional.

"Veja que esta é uma tentativa de criar uma distração após o retorno à vida pública de Strauss-Kahn", disse Sarkozy. "Eles não querem que ninguém se lembre que queriam transformá-lo no próximo presidente da república francesa."

O primeiro-ministro francês, François Fillon, também criticou neste domingo o Mediapart. Ele afirmou à rádio Europe 1 que o Mediapart é um "laboratório financiado pelos amigos ricos de François Hollande, que há cinco anos atacam o presidente". O chefe do governo acrescentou que o documento divulgado pelo jornal é "uma falsificação" e que é impossível verificar sua autenticidade.

O jornal digital Mediapart publicou no sábado um documento assinado por um ex-funcionário do governo líbio em que se indica que o regime de Muamar Kadafi aceitou em 2006 financiar com "50 milhões de euros" a campanha presidencial de Nicolas Sarkozy em 2007.

Neste documento, em árabe, Musa Kusa, então chefe dos serviços de inteligência exterior da Líbia, registrou um "acordo de princípio" para "apoiar a campanha eleitoral do candidato às eleições presidenciais, Nicolas Sarkozy, por uma quantia no valor de 50 milhões de euros".

Em 12 de março, Sarkozy chamou de "grotesco" um eventual financiamento de sua campanha presidencial de 2007 por parte de Kadhafi. Kusa foi também ministro das Relações Exteriores de Kadafi, antes de desertar e partir para a Europa.

Com informações da Efe, da Reuters e da AFP

O presidente da França negou as denúncias do site Mediapart sobre um suposto financiamento de sua campanha presidencial de 2007 pelo líder líbio Muamar Kadafi
O presidente da França negou as denúncias do site Mediapart sobre um suposto financiamento de sua campanha presidencial de 2007 pelo líder líbio Muamar Kadafi
Foto: AP
Fonte: Terra
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