Romney chamou apoiadores a fazer "do discurso de hoje o último de Barack Obama sobre o Estado da União"
Foto: Reuters
O aspirante à candidatura republicana à Casa Branca, Mitt Romney, disse que o discurso sobre o Estado da União, desta terça-feira, deverá ser o último de Barack Obama, acrescentando que o "desesperado" presidente precisa ser vencido para salvar "a alma dos Estados Unidos". Na Flórida (sudeste), onde está em campanha eleitoral, Romney fez uma "réplica antecipada" do que seria o pronunciamento de Obama no Capitólio, previsto para as 21h, hora local, numa tentativa de reduzir o impulso tomado pela candidatura do adversário republicano, Newt Gingrich.
Eleições presidenciais nos EUA: acompanhe as primárias do Partido Republicano
"O fundamental é fazermos do discurso de hoje o último de Barack Obama sobre o Estado da União", disse Romney numa fábrica fechada da Flórida, que se tornou um emblema da política econômica falida de Obama. "Nossa campanha é muito mais do que substituir um presidente, trata-se de salvar a alma dos Estados Unidos", acrescentou.
Romney acusou Obama de fracassar em apresentar soluções para a alta taxa de desemprego, de gastar US$ 787 bilhões em vão, num pacote de medidas de estímulo econômico, de se recusar a enfrentar a crise imobiliária e de forçar a aprovação de uma reforma do sistema de saúde não aceita pelos americanos. "Há três anos, medimos o candidato Obama por suas promessas e slogans esperançosos", disse Romney. "Hoje, o presidente Obama acumulou uma dívida recorde, junto com deterioração e decepção", acrescentou, afirmando que as políticas econômicas do presidente vão prolongar a crise econômica em vez de solucioná-la.
Segundo Romney, as medidas que Obama revelará mais tarde em seu discurso no Congresso não são mais que "planos partidários" para a reeleição dos democratas. E fazendo trocadilho com os slogans das campanhas atual e passada de Obama, Romney declarou: Obama "continua dizendo às pessoas 'We Can't Wait' (Não podemos esperar), ao que eu digo 'Yes, We Can' (Sim, nós podemos, maior slogan de campanha de Obama em 2008)".
O ex-governador de Massachusetts (nordeste) também criticou os planos de Obama de aplicar impostos maiores aos americanos mais ricos, no contexto de uma polêmica sobre a própria fortuna de Romney. "Nesta noite, teremos mais retórica de um desesperado chefe de campanha", disse Romney. "É vergonhoso para um presidente dividir a nação com seu Estado da União", acrescentou.
As primárias republicanas de 2012
No dia 3 de janeiro, foi dada a largada para a escolha do candidato republicano que enfrentará Barack Obama nas eleições presidenciais, no dia 6 de novembro de 2012. Trata-se de um longo processo de realização de primárias nos Estados e territórios americanos, durante o qual os eleitores elegerão delegados que participarão da Convenção Nacional do Partido Republicano, nos dias 27 e 30 de agosto.
Nas primárias, os eleitores vão às urnas e, por meio de voto secreto, escolhem os delegados que representam seus interesses. Além das primárias tradicionais (realizadas na maioria dos Estados), algumas unidades optam pelas caucuses: pequenas assembleias, geralmente compostas por militantes partidários, que têm a mesma função das primárias, mas com a principal diferença de que em uma caucus o voto é público.
As primárias e as caucuses possuem uma quantidade de delegados proporcional ao tamanho da população do Estado que representam, ao passo os pré-candidatos mais votados recebem um número de delegados proporcional à quantidade de votos obtidos. Em 2012, serão 38 primárias e 17 caucuses, que, juntas, distribuirão 2.286 delegados. Será candidato aquele que, na Convenção, obtiver os votos de ao menos 1.144 delegados.

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