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EUA pedem a América Latina que não use militares como polícia

8 out 2012
11h52
atualizado às 12h14

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Leon Panetta, advertiu os países do Hemisfério Ocidental nesta segunda-feira contra a dependência das Forças Armadas para desempenhar funções policiais, dizendo a uma reunião de ministros de Defesa da região que as autoridades civis devem ser fortalecidas para lidar com a aplicação da lei.

Abordando um problema enfrentado por muitos países latino-americanos que lutam contra insurgências e o tráfico de drogas, Panetta disse às autoridades que "o uso de militares para realizar a aplicação da lei civil não pode ser uma solução de longo prazo".

Ele reconheceu que, às vezes, é difícil saber se as ameaças à paz e à estabilidade devem ser tratadas pelos policiais ou pelo Exército, um debate que dividiu os Estados Unidos durante a resposta aos ataques de 11 de Setembro.

"Como parceiros, os Estados Unidos vão fazer o que nós pudermos para aproximar as diferenças de capacidade entre as forças armadas e os policiais", disse Panetta na 10a Conferência de Ministros da Defesa das Américas.

"Temos o compromisso de fazê-lo de uma forma respeitosa aos direitos humanos, à regra da lei e à autoridade civil", afirmou. "Nós podemos e iremos fornecer uma ajuda, mas as autoridades civis, em última análise, devem ser capazes de arcar com esse ônus por conta própria."

Panetta falou no último dia de uma visita de três dias à América do Sul, onde, em reunião com ministros da Defesa, pressionou para uma maior colaboração entre os militares, como parte da nova estratégia de defesa do Pentágono.

A estratégia, que foi aprovada no início deste ano, exige um maior foco dos EUA na região da Ásia-Pacífico.

A Declaração de Política de Defesa para o Hemisfério Ocidental do Pentágono, divulgada na semana passada, enfatizou ameaças como o terrorismo e o tráfico de drogas, e pediu ao Pentágono para ajudar os países parceiros --aqueles com os quais os Estados Unidos não têm um tratado formal de aliança-- a desenvolver e profissionalizar suas forças militares.

A estratégia visa renovar os laços militares dos EUA com a América Latina depois de uma década em que Washington esteve focado nas guerras do Iraque e Afeganistão e os países da região se queixaram de negligência.

Mas com uma história longa e complicada de intervenções e de intromissão na América Latina, os Estados Unidos terão de superar suspeitas profundas, conforme trabalham para construir laços militares mais amplos.

Em visitas ao Peru e ao Uruguai, Panetta tomou medidas para implantar a estratégia dos EUA. Ele concordou em começar a trabalhar com cada país para atualizar seus acordos de cooperação de defesa de 60 anos de idade, para modifica-los para além dos temas da Guerra Fria e acomodar mudanças nas leis. Autoridades disseram que isso permitiria uma cooperação mais ampla.

No discurso de abertura da sessão plenária da conferência, Panetta elogiou o que ele disse ser uma "notável transformação na colaboração de defesa" no hemisfério durante a última década, com mais e mais países contribuindo com os esforços de defesa coletiva, como a manutenção da paz e ajuda humanitária.

"Temos uma oportunidade histórica para criar uma nova era no nosso relacionamento - uma era de colaboração de defesa hemisférica ampla e construtiva", disse.

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