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Veja o que já mudou com a reaproximação entre EUA e Cuba

Acordo começou como uma carta de intenções, mas hoje já se vê mudanças nas áreas turística, cultural e econômica, além da política

12 mai 2015
13h45
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“Obama está colocando uma pá de cal sobre o túmulo do último fantasma da Guerra Fria.” É o que acredita o professor de relações internacionais da Universidade de Brasília Argemiro Procópio Filho. Ele se refere à retomada das relações diplomáticas entre Estados Unidos e Cuba.

O presidente de Cuba, Raúl Castro (esquerda), e o presidente norte-americano, Barack Obama, se cumprimentam durante a Cúpula das Américas, na Cidade do Panamá, em abril
O presidente de Cuba, Raúl Castro (esquerda), e o presidente norte-americano, Barack Obama, se cumprimentam durante a Cúpula das Américas, na Cidade do Panamá, em abril
Foto: Jonathan Ernst / Reuters

Anunciada em dezembro do ano passado, a aproximação entre os dois países foi discutida em sigilo durante 18 meses. Algumas medidas, no entanto, só foram oficializadas recentemente, como a autorização para o transporte marítimo de cargas e passageiros. Outras ainda precisam da aprovação do Congresso dos Estados Unidos, como o fim do embargo comercial. Confira 10 novidades que vêm a reboque dessa aproximação.

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Libertação de prisioneiros
A libertação de prisioneiros políticos foi um dos primeiros passos da reaproximação. Os Estados Unidos já deram liberdade para cinco agentes cubanos que estavam presos desde 1998. Já o governo de Raúl Castro prometeu soltar 53 pessoas. Bruno Lima Rocha, professor de Relações Internacionais da Universidade do Vale do Rio dos Sinos e da ESPM-Sul, salienta que as libertações são de prisioneiros específicos, solicitada pelos governos de seus respectivos países.

Apoio dos EUA a médicos cubanos na África
Em outubro do ano passado, Cuba enviou mais de 200 profissionais da saúde para combater a epidemia do vírus ebola na África Ocidental. Procópio Filho lembra que muitos destes trabalhadores contaram com apoio material e financeiro de Washington. Rocha ressalta que a cooperação em esforços humanitários, chamada de “aproximação entre os povos”, favorece os dois países. “Ajuda humanitária é uma agenda de todos e beneficia todos os envolvidos.”

Participação de Cuba na Cúpula das Américas
Após cinco décadas de conflito, os presidentes de Cuba e dos Estados Unidos apertaram as mãos na abertura da Cúpula das Américas, realizada em abril, no Panamá. Foi a primeira vez que um líder cubano participou da conferência. Em seu discurso, o presidente Raúl Castro elogiou o norte-americano Barack Obama, a quem chamou de “homem honesto”. Rocha explica que a participação do país aponta para uma normalização das relações diplomáticas.

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Volta do transporte marítimo
Durante 50 anos, os 150 quilômetros de distância entre a Flórida e a costa cubana pareciam muito maiores com a proibição do transporte de cargas e passageiros entre os dois países. Com o fim da proibição, a expectativa é que, a partir de setembro, empresas americanas já ofereçam o serviço de ligação entre os dois países. No entanto, a legislação norte-americana ainda proíbe que seus cidadãos viajem para a ilha, salvo em situações extraordinárias.

Cuba fora da lista de países que apoiam o terrorismo
O presidente Barack Obama enviou ao Congresso dos Estados Unidos o pedido para que Cuba seja retirada da lista de países que patrocinam o terrorismo. O documento foi encaminhado no dia 14 de abril e tem um prazo de 45 dias para ser respondido. A medida encontra resistência do Partido Republicano. De acordo com Procópio Filho, a objeção conta com o apoio dos opositores aos irmãos Castro, exilados nos Estados Unidos.

Intercâmbio cultural
Além das questões políticas e econômicas, a relação cultural entre os dois países também foi modificada com a reaproximação. Em julho, o coro gay de Washington fará uma turnê em Cuba. Raúl Castro já anunciou que estará presente na apresentação em Havana. O grupo se reunirá ainda com o Centro Nacional de Educação Sexual, instituição dirigida por Miriela Castro, filha do presidente cubano.

Remessa financeira
O fim do embargo financeiro precisa de aprovação do Congresso dos Estados Unidos, mas o acordo diplomático já prevê medidas que podem facilitar o envio de recursos para a ilha. Entre elas está a ampliação da remessa financeira trimestral para Cuba. O valor máximo de US$ 500 passará para US$ 2000. Os cidadãos norte-americanos também terão permissão para importar até US$ 400 em produtos cubanos.

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Embaixadas abertas
As negociações para a retomada das relações diplomáticas entre os dois países incluem também abertura de uma embaixada norte-americana em Cuba, embora ainda não exista uma data para a inauguração. “Será um dia histórico. A embaixada dá materialidade às relações”, diz Rocha.

Previsão de liberação para o turismo
Embora também precise de aprovação do Congresso dos Estados Unidos, a expectativa é que, em breve, o turismo de norte-americanos para Cuba seja liberado. De acordo com Rocha, o governo de Raúl Castro já se anima com a possibilidade. “Havana estima que o turismo será quadriplicado com a participação norte-americana.”

Inflação de preços turísticos
Mesmo com o desembarque de turistas americanos apenas como uma possibilidade futura, a economia da ilha já reage, e os preços turísticos vêm sofrendo reajustes. A inflação, no entanto, não atinge os cidadãos cubanos, já que a ilha conta com duas moedas, uma para os habitantes e outra utilizada no turismo.

 

Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra
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