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WikiLeaks: padrão europeu de direitos humanos irrita os EUA

18 dez 2010
13h38
atualizado às 16h39
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Os padrões europeus em matéria de direitos humanos "irritam" a diplomacia americana, segundo documentos secretos dos Estados Unidos vazados pelo site WikiLeaks e publicados neste sábado pelo jornal britânico The Guardian .

Em um documento confidencial de Estrasburgo, o cônsul-geral dos EUA nesta cidade francesa, Vincent Carver, critica o Conselho da Europa por sua posição frente às extradições ao país e às transferências secretas de suspeitos de terrorismo. O cônsul americano acusa o Conselho da Europa de fomentar o antiamericanismo e impedir assim os esforços antiterroristas de seu país. "O Conselho da Europa gosta de se apresentar como bastião da democracia e defensor dos direitos humanos e a última esperança que fica de defender o império da lei na Europa e até além", escreve Carver.

Porém, o diplomata qualifica o Conselho como "uma organização que tem um complexo de inferioridade e ao mesmo tempo uma agenda excessivamente ambiciosa". "O Tribunal Europeu de direitos humanos (...) pediu mais informações sobre casos pendentes de britânicos que os EUA solicitaram a extradição e dos quais teme que possam ser condenados à prisão perpétua sem possibilidade de recurso", acrescenta Carver. No meio dos crescentes rumores sobre a possibilidade de que os EUA solicitem a extradição do fundador de WikiLeaks, Julian Assange, escreve The Guardian , os documentos diplomáticos deixam claro a oposição de Washington a qualquer tentativa de ingerência europeia nos assuntos judiciais americanos baseada nas condições de reclusão naquele país.

Assange teria o direito de recorrer ao Tribunal Europeu de direitos humanos se tivesse de enfrentar uma solicitação de extradição dos EUA. Caso todas as etapas judiciais prévias fracassem, seus advogados estão já construindo um caso legal baseado em argumentos de direitos humanos para se opor a essa eventualidade. Os documentos criticam não só a instituição como tal, mas também determinados indivíduos que trabalham nele, entre eles o secretário-geral britânico, agora já aposentado, que provocou a ira da Casa Branca por suas críticas públicas às transferências secretas de suspeitos de terrorismo. As provas mostram que diplomatas americanos tentaram se reunir com seu sucessor, o ex-primeiro-ministro norueguês Thorbjorn Jagland, para convencê-lo de que se abstivesse de fazer esse tipo de críticas públicas aos EUA.

A notícia de que os EUA tentaram pressionar Jagland não pôde indignar muitos europeus, que consideram fundamental o papel do Conselho na proteção dos direitos humanos frente aos abusos da guerra antiterrorista, informou o jornal. Os diplomatas americanos criticaram também Thomas Hammarberg, comissário de direitos humanos do Conselho, por seus ataques à política antiterrorista de Washington.

O vazamento WikiLeaks
No dia 28 de novembro, a organização WikiLeaks divulgou mais de 250 mil documentos secretos enviados de embaixadas americanas ao redor do mundo a Washington. A maior parte dos dados trata de assuntos diplomáticos - o que provocou a reação de diversos países e causou constrangimento ao governo dos Estados Unidos. Alguns documentos externam a posição dos EUA sobre líderes mundiais.

Em outros relatórios, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, pede que os representantes atuem como espiões. Durante o ano, o WikiLeaks já havia divulgado outros documentos polêmicos sobre as guerras do Afeganistão e do Iraque, mas os dados sobre a diplomacia americana provocaram um escândalo maior. O fundador da organização, o australiano Julian Assange, foi preso no dia 7 de dezembro, em Londres, sob acusação emitida pela Suécia de crimes sexuais.



EFE   

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