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Venezuela: Maduro desafia Obama a manter 'diálogo elevado'

22 fev 2014
02h11
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O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, desafiou nesta sexta-feira seu homólogo americano, Barack Obama, a manter um "diálogo elevado" entre os dois governos sobre as divergências bilaterais, acentuadas pelos protestos da oposição na Venezuela nas últimas semanas. "Convoco você, presidente Obama, para um diálogo entre a Venezuela patriota e revolucionária e os Estados Unidos e seu governo".

"Aceite o desafio e vamos iniciar um diálogo elevado, colocando sobre a mesa a verdade", disse Maduro em entrevista para correspondentes internacionais. As agências dos Estados Unidos "deram sinal verde para a derrubada do governo que eu presido", afirmou Maduro antes de desafiar Obama a demonstrar que "ao menos a América Latina e o Caribe são capazes de iniciar uma mudança política".

"Designe você o (secretário de Estado) John Kerry ou qualquer outro. Vou designar o chanceler Elías Jaua para o diálogo, um debate, vamos mostrar tudo o que sabemos de vocês", desafiou Maduro". Na mesma entrevista, Maduro se disse disposto "a nomear um embaixador venezuelano para os Estados Unidos para que cumpra o papel da via diplomática e política".

"Vamos designar embaixadores, assim que sejam aprovados, para que se sentem para dialogar. Eu designo Roy Chaderton", representante da Venezuela na OEA, disse Maduro aos correspondentes. Venezuela e Estados Unidos não têm embaixadores em Washington e Caracas desde 2010, ano em que foram expulsos oito diplomatas americanos.

"Presidente Barack Obama, este é o momento para que as elites que governam os Estados Unidos se sentem para conversar, de igual para igual, com o movimento revolucionário da América Latina. Nos propomos, humildemente, a colocar um representante nosso na mesa".

No domingo passado, Maduro anunciou a expulsão de três funcionários da embaixada dos Estados Unidos em Caracas acusados de interferir nos assuntos internos do país, totalizando oito diplomatas americanos expulsos da Venezuela no último ano.

A onda de protestos que sacode a Venezuela já deixou nove mortos, sendo cinco baleados, dois atropelados, um motociclista acidentado e um falecido em circunstâncias ainda não apuradas. Os confrontos provocaram ainda 137 feridos e mais de 100 pessoas foram detidas, segundo o ministério do Interior.

Nesta sexta-feira, a subsecretária americana de Estado para a América Latina, Roberta Jacobson, pediu um julgamento "imparcial e transparente" para o líder opositor venezuelano Leopoldo López, e denunciou o "enfraquecimento" democrático na Venezuela.

"O mais importante é que seja julgado de forma imparcial e transparente. Estamos preocupados com a situação e com o desenvolvimento do processo legal", assinalou Jacobson.

López, 42 anos e dirigente da Vontade Popular, uma das principais forças da oposição a Maduro, se entregou à Justiça na terça-feira e está detido em uma prisão militar sob a acusação de incitar a violência durante o protesto do dia 12 de fevereiro, em Caracas, quando três pessoas morreram e dezenas ficaram feridas.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 

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