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Vacina antigripe suína será produzida até janeiro para EUA

29 abr 2009
15h36
atualizado às 15h41

Funcionários do governo federal dos Estados Unidos anunciaram que produzir vacina em volume suficiente para proteger todos os americanos contra uma possível epidemia de gripe suína demoraria até janeiro, ou na melhor das hipóteses o começo de novembro.

E além dos Estados Unidos e de alguns poucos outros países também capazes de produzir vacinas, alguns especialistas afirmam que a produção de vacina contra a gripe suína em escala suficiente para atender à demanda mundial poderia demorar anos.

Ainda que a produção seja hoje muito mais rápida do que teria sido o caso ainda alguns anos atrás, ela talvez não seja realizada em tempo de evitar mortes e doenças, se o vírus começar a se espalhar rapidamente e se tornar mais virulento, disseram alguns especialistas.

Nos Estados Unidos, o maior problema é que, a despeito de anos de esforço, o país continua a depender de tecnologia criada meio século atrás para fabricar vacinas contra a gripe.

As autoridades federais dedicaram anos de trabalho e investiram mais de US$ 1 bilhão em esforços para adotar um método mais novo e confiável de produção de vacinas - que envolve cultivar os vírus para vacinas em caldeirões e não em ovos de galinha, como na tecnologia anterior. E existem numerosas empresas de pequeno porte que estão desenvolvendo novas abordagens capazes de permitir a produção de volumes imensos de vacinas em espaço de poucas semanas.

Mas a produção de base celular ainda não está completamente preparada e algumas das novas técnicas não foram comprovadas o bastante para satisfazer os critérios de muitos especialistas.

"Essas tecnologias são todas excelentes, mas não vão estar prontas em tempo", disse o Dr. Greg Poland, diretor do programa de pesquisa de vacinas da Mayo Clinic.

As autoridades federais ainda não tomaram uma decisão que determine se a gripe suína é ameaça suficiente para justificar a produção de vacinas. Mas as primeiras providências já estão sendo tomadas.

Um potencial problema é que produzir a vacina contra a gripe suína poderia interferir com a produção da vacina contra gripe sazonal no inverno seguinte.

"Teríamos provavelmente de chegar a um compromisso", disse Andrin Oswald, presidente-executivo da divisão de vacinas da companhia farmacêutica Novartis, em entrevista.

Mas Robin Robinson, que dirige o programa de pesquisa preparatória de emergência no Departamento de Saúde e Serviços Humanos, no governo federal, afirmou que a maioria dos fabricantes teria encerrado a maior parte de sua produção da vacina sazonal até junho.

Se a produção de vacina contra a gripe suína começasse logo depois disso, os primeiros 50 milhões a 80 milhões de doses estariam disponíveis por volta de setembro, disse Robinson.

O total de 600 milhões de doses requerido para fornecer dose dupla da vacina a cada americano estaria pronto até janeiro. Se os agentes de estímulo imunológico conhecidos como adjuvantes forem acrescentados à vacina, a dose necessária por pessoa seria redunzida, e assim o total requerido poderia estar pronto pelo final de novembro, ele disse.

O setor de vacinas está em posição muito melhor para responder agora do que há cinco anos, quando os Estados Unidos só contavam com dois fornecedores de vacinas e sofriam de uma severa escassez.

Agora, existem cinco fornecedores no mercado doméstico. E o setor de vacinas, no passado uma área negligenciada da indústria farmacêutica, está atraindo novo interesse, com a ajuda de subsídios do governo e de preços mais altos para as vacinas.

Ainda assim, um estudo realizado com a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Federação Internacional das Associações de Fabricantes Farmacêuticos estima que provavelmente seriam necessários quatro anos de produção para atender plenamente à demanda mundial pela vacina, para proteção contra a variante de gripe aviária que vem preocupando as autoridades de saúde nos últimos anos.

Projeções semelhantes podem se aplicar à vacina contra a gripe suína, dizem alguns especialistas. "O ponto básico é que não haverá vacina suficiente em tempo hábil, e de qualquer forma as vacinas serão destinadas primordialmente aos países que já as produzem", porque eles restringirão exportações em caso de pandemia, disse o Dr. David Fedson, especialista independente em preparação para pandemias.

O governo federal dos Estados Unidos está encorajando a indústria a ampliar sua produção no país, já que todas as empresas exceto uma, a Sanofi-Aventis, agora importam as vacinas contra a gripe que vendem no mercado americano.

O governo também ofereceu subsídios de US$ 1,3 bilhão, distribuídos entre diversos fabricantes, para desenvolver maneiras de produzir vacinas em recipientes contendo células animais, e não em ovos. As culturas celulares são menos vulneráveis a contaminação e o processo pode reduzir em algumas semanas o tempo de produção.

Os resultados não são claros até o momento. A Solvay, que recebeu a maior dotação governamental, quase US$ 300 milhões, decidiu que era economicamente arriscado demais construir uma fábrica de vacina contra a gripe nos Estados Unidos. (A maior parte do dinheiro federal ainda não havia sido desembolsada e não será perdida, disse Robinson). A Sanofi-Aventis também reduziu a prioridade da produção de vacinas em culturas celulares, disse Robinson.

Mas a Novartis está construindo uma fábrica de vacinas com esse método de produção em Holly Springs, Carolina do Norte, e a unidade começará a operar em 2010 ou 2011. O governo federal está subsidiando a construção em US$ 500 milhões, por meio de compras garantidas de vacinas.

Tradução: Paulo Migliacci

The New York Times

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