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Strauss-Kahn e camareira entram em acordo em caso de abuso

Strauss-Kahn encerra escândalo sexual nos EUA com acordo financeiro

10 dez 2012
17h29
atualizado às 20h02

A justiça civil de Nova York anunciou nesta segunda-feira um acordo financeiro secreto entre Dominique Strauss-Kahn e a camareira de hotel que o acusou de agressão sexual no ano passado, encerrando assim pelo menos nos papéis o escândalo que arruinou a carreira do ex-diretor do FMI.

Dominique Strauss-Khan foi acusado de abuso sexual por Nafissatou Diallo no caso do hotel Sofitel (NY)
Dominique Strauss-Khan foi acusado de abuso sexual por Nafissatou Diallo no caso do hotel Sofitel (NY)
Foto: AP

"Há cerca de dez minutos chegamos a um acordo", anunciou o juiz Douglas McKeon no início de uma curta audiência no tribunal do Bronx (norte de Nova York), afirmando que os termos do acordo pelo qual Nafissatou Diallo aceitou retirar as acusações pelos fatos de maio de 2011 são "confidenciais".

A mulher de 33 anos de origem guineana estava presente, mas não falou durante a audiência. O juiz não havia solicitado o comparecimento de DSK."Só quero agradecer àqueles que me apoiaram em todo o mundo. Obrigado a todos, obrigado a Deus e que Deus os abençoe", afirmou Diallo com calma na escadaria do tribunal ao final da audiência. Os advogados de Strauss-Kahn, William Taylor III e Amit Mehta, manifestaram sua satisfação pelo "fim deste caso". Ambos os lados se negaram a falar do valor decidido, que ficaria em torno de seis milhões de dólares, segundo a imprensa francesa.

A audiência durou apenas dez minutos. Só a metade da sala estava ocupada. Cerca de 70 jornalistas, em sua maioria franceses, estavam presentes. "O comparecimento ficou muito longe do das primeiras audiências, quando entre 500 e 600 pessoas estiveram presentes na sala e em suas imediações", declarou Walter Glowacz, responsável pela segurança do tribunal.

Diallo acusou Strauss-Kahn de tê-la obrigado a fazer sexo oral em um quarto do hotel Sofitel em Manhattan no dia 14 de maio de 2011, provocando a detenção do político socialista francês no aeroporto JFK de Nova York quando se preparava para deixar o território americano. Strauss-Khan, de 63 anos, reconheceu ter tido uma relação sexual "inapropriada", mas afirmou que foi consentida e sem violência. Ele ficou alguns dias na prisão de Rikers Island e depois foi colocado em prisão domiciliar em Nova York.

A Procuradoria de Manhattan teve que abandonar as acusações penais três meses depois, em agosto de 2011, pelas inconsistências e contradições no depoimento da imigrante de origem guineana, em uma grande reviravolta no caso. Strauss-Kahn foi colocado em liberdade e voltou à França, mas o escândalo custo a ele não apenas seu posto no FMI, como também suas aspirações presidenciais, já que até estão era considerado o favorito para as eleições realizadas este ano e que terminaram com a vitória do socialista Francois Hollande.

O acordo com Diallo permite a DSK solucionar seus problemas com a justiça americana, embora continue sendo acusado na França no caso do hotel Carlton, relativo à organização de festas com prostitutas. Seus advogados pediram que esse processo seja declarado nulo devido às dúvidas sobre a imparcialidade dos juízes de instrução. A justiça francesa se pronunciará a respeito em 19 de dezembro.

O escândalo de Nova York gerou outra denúncia contra Strauss-Kahn na França por parte da escritora Tristane Banon, que o acusou de tentativa de estupro em 2003. Apesar de a Procuradoria de Paris ter reconhecido a existência de um crime de agressão sexual, a causa não avançou porque o delito estava legalmente prescrito.

Separado de Anne Sinclair, com quem estava casado no momento dos fatos em Nova York, Strauss-Kahn iniciou nos últimos meses um lento retorno à esfera pública como consultor e conferencista.

AFP   

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