publicidade
25 de fevereiro de 2010 • 08h00 • atualizado às 12h18

Seaworld vai decidir destino de baleia que matou treinadora

infográfico orca baleia seaworld EUA
Foto: The New York Times
 

Os administradores do parque aquático Seaworld devem se reunir para decidir o destino da baleia orca Tilikum, envolvida na morte da treinadora Dawn Brancheau, ocorrida ontem na unidade de Orlando, no Estado americano da Flórida. As informações são do diário britânico The Guardian.

Chuck Tomkins, chefe de treinamento de animais do Seaworld disse que ainda é muito cedo para saber o que vai acontecer com Tilikum. Depois de incidente parecidos ocorridos no passado, os animais são transferidos para outros parques, disse Tomkins.

A irmã mais velha de Brancheau, Diane Gross, afirmou que a treinadora não gostaria que nenhum mal fosse causado ao animal. "Ela amava as baleias como se fossem seus filhos. Ela amava todas. Todas elas têm personalidades. Têm dias bons e dias ruins."

O parque anunciou o cancelamento dos shows com baleias orcas após a morte, informou a agência AP nesta quinta-feira. De acordo com a edição online do jornal britânico, está é a terceira vez que acontece um incidente envolvendo o mesmo animal.

O comunicado do parque informa ainda que as unidades do Seaworld funcionarão normalmente nesta quinta e que foram cancelados apenas os espetáculos Dine with Shamu e Believe nas filiais de Orlando e San Diego, na Califórnia.

Morte em frente ao público
Dawn Brancheau morreu nesta quarta depois de ser atacada por uma baleia assassina em frente à plateia. John Mulhall, porta-voz da equipe de resgate, afirmou que paramédicos foram chamados para o estádio Shamu, no parque temático, onde encontraram a funcionária de 40 anos, já sem vida.

"Uma de nossas mais experientes treinadoras de animais se afogou em um incidente com uma de nossas orcas nesta tarde", afirmou Dan Brown, gerente-geral da franquia. "Este é um momento extremamente difícil para todos no parque Seaworld", disse Brown.

O porta-voz Jim Solomon, da polícia do condado de Orange, negou as informações iniciais dadas pela imprensa americana que indicavam que a baleia teria arrastado e atacado a treinadora no tanque. "Aparentemente, ela caiu e foi fatalmente ferida por uma das baleias", disse Salomon.

Testemunhas: ataque foi violento
Vitoria Biniak, que testemunhou o acidente, disse a uma equipe de televisão que a treinadora tinha acabado de explicar ao público o show que eles estavam prestes a ver.

Segundo Vitoria, a baleia surgiu de repente, atingiu Brancheau em torno da cintura e "a sacudiu violentamente" ao ponto de seus calçados caírem. Um funcionário do parque ouvido pela rede CNN, e que pediu para não ser identificado, descreveu o incidente da mesma forma.

A morte aconteceu durante o espetáculo chamado Dine with Shamu, informou Paula Gillespie à CNN. Ela disse que estava presente no show com sua filha. "Durante a apresentação tudo estava perfeitamente bem. Nós chegamos a descer para observar o corpo do animal no tanque de isolamento."

"Tudo parecia calmo e sob controle. A treinadora estava apoiada na baleia beijando e afagando o animal. Menos de cinco minutos depois ela estava no fundo do tanque e nós pudemos ver a agitação na água e as bolhas enquanto a baleia pressionava a treinadora", disse Paula.

Após o acidente, o público foi retirado e o parque foi fechado.

Repercussão entre especialistas
A orca chamada Tilikum, que significa amigo na língua dos índios Chinook, é uma das baleias que participam dos espetáculos com animais marinhos nos parques do Seaworld, que incluem ainda golfinhos e focas.

Jeffrey Ventre, um ex-treinador do Seaworld, descreveu Brancheau como uma profissional fantástica. Ele afirmou ainda que Tillikum é um grande animal, que fecundou pelo menos 13 filhotes.

"Ele é grande e impressionante. As pessoas chegam perto dele e é impossível não dizer 'uau'. Além disso ele é muito lucrativo para o parque."

Entretanto, Fred Felleman, um biólogo marinho que atua como consultor em Seattle, no Estado de Washigton, afirma que manter em isolamento animais como as orcas, que vivem em bandos, é bastante problemático.

"A verdade é que não temos instalações para acomodar adequadamente não só as necessidades físicas, as necessidades psicológicas e sociais destes animais", afirmou a uma emissora ligada à CNN na costa oeste.

"Nós respeitamos leões e lobos e mabecos como criaturas fantásticas, mas nós simplesmente não corremos pelo (Parque Nacional de) Serengeti (na Tanzânia) e tentamos pular em suas costas."

Jack Hanna, diretor emérito do Zoológico e Aquário de Columbus, em Ohio, e personalidade televisiva por seu contato com animais selvagens, afirmou que ele conhecia Brancheau e que "ela gostaria que seu trabalho continuasse".

"O que aconteceu é algo que acontece. Acontece no nosso tipo de trabalho. Eles são animais selvagens, são animais perigosos", afirmou. Hanna disse ainda que espera que o Seaworld continue a trabalhar com baleias orca.

A visão de Hanna é contestada pelo Peta, organização internacional que defende os direitos dos animais. Jaime Zalac, porta-voz da entidade, afimrou que a morte de Brancheau é "uma tragédia que poderia ter sido evitada."

Zalac afirmou ainda que sua organização entrou em contato com o Seaworld pedindo que o parque pare de confinar mamíferos marinhos em áreas que, para o porte desses animais, equivale a uma banheira.

"Nós também pedimos que o parque pare de forçar os animais a executarem truques estúpidos constantemente. Não é uma surpresa quando esses gigantescos e inteligentes animais se revoltam."

Outros casos
Pelo menos dois outros casos de ataques a treinadores foram registrados nos parques Seaworld. Em novembro de 2006, o treinador Kenneth Peters, 39 anos, foi mordido várias vezes por uma orca durante um show na filial do parque do em San Diego, no Estado da Califórnia. Ele escapou com um pé quebrado.

Em 2004, outra baleia do parque, em San Antonio, no Texas, tentou morder um dos treinadores.

Tilikum esteve envolvida, com outras duas baleias, em pelo menos mais um incidente. Em 1991, um treinador do Sea Land Marine Park Victoria, na Columbia Britânicam, no Canadá, morreu após ser arrastado para o fundo do tanque durante uma apresentação.

Leia o comunicado do parque na íntegra:

É com profunda tristeza que o Seaworld comunica que, nesta tarde, 24 de fevereiro de 2010, uma de nossas mais experientes treinadoras de animais faleceu após um acidente com uma de nossas baleias orcas. Já foi instaurada uma investigação para identificar a possível causa do ocorrido. Há muitos detalhes que gostaríamos de compartilhar sobre esse caso, mas vamos aguardar os resultados oficiais e torná-los públicos no momento adequado.

Fazemos questão de frisar que esse é um momento extremamente difícil para o Seaworld e todos os membros da equipe. Nunca tivemos, em 46 anos de história, um incidente como este, e todos os nossos procedimentos serão submetidos a uma rigorosa investigação. Estendemos nossas condolências à família e amigos da treinadora e iremos providenciar todo o auxílio a eles nesse difícil momento.

Com agências internacionais

Redação Terra