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Saiba quem é Julian Assange, o criador do site WikiLeaks

7 dez 2010
10h29
atualizado às 12h20

Detido nesta terça-feira em Londres, o fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, é considerado brilhante até por seus detratores. Ele abalou a imagem do corpo diplomático americano com o vazamento de milhares de documentos até agora secretos, muda de telefone como quem troca de roupa, utiliza nomes falsos em hotéis e paga em sempre espécie ao invés de usar cartões de crédito.

Julian Assange passou a sofrer pressão liderada pelos EUA depois que o WikiLeaks divulgou documentos secretos
Julian Assange passou a sofrer pressão liderada pelos EUA depois que o WikiLeaks divulgou documentos secretos
Foto: AP

Em 1997, Assange publicou em um livro sua filosofia de "hacker" de não prejudicar os sistemas de informática ao invadir, não modificar informações e, sim, compartilhar os dados apurados. Assange nasceu em Townsville (Austrália) no dia 3 de julho de 1971 e desde sua juventude dava provas concretas de que era um grande conhecedor de informática.

Com 16 anos entrou no mundo da pirataria na internet. Utilizando sobrenome falso de "Mendax" ele foi um dos fundadores do grupo International Suversives. Em sua faceta de "hacker" teve relevância quando em outubro de 1991 admitiu que havia invadido os sistemas da Universidade Nacional da Austrália, o Instituto de Tecnologia Royal Melbourne (RMIT) e a empresa de telecomunicações canadense Nortel.

Apesar de ter sido acusado de 20 delitos, só foi condenado ao pagamento de uma multa de 2,1 mil dólares australianos. Assange começou os estudos de Matemática e Física na Universidade de Melbourne, mas em 2006 abandonou os livros ao ser convencido de que os trabalhos em diferentes áreas eram aplicados na indústria militar.

No mesmo ano, fundou o site www.wikiLeaks.org, com o objetivo de publicar informações filtradas de "regimes opressores" como China, a antiga União Soviética, a África Subsaariana e o Oriente Médio, sem deixar à margem as "condutas pouco éticas" de países do Ocidente. A relevância da página aumentou em 25 de julho de 2010, quando vazou 91 mil documentos secretos sobre a guerra no Afeganistão.

Em agosto de 2010, logo após pedir licença de trabalho e residência na Suécia - o que lhe foi negado - a Justiça sueca iniciou processos relacionados a duas denúncias contra si, uma por violação e outra por abuso. Pela acusação de estupro, em 18 de novembro de 2010, a Corte de Apelação de Estocolmo recorreu à Interpol para executar a detenção e extradição.

Seu advogado recorreu da decisão, mas em 2 de dezembro a Corte Suprema manteve a decisão de prisão. Em 22 de outubro de 2010, WikiLeaks gerou grande impacto midiático ao publicar 391 mil documentos do Pentágono sobre a Guerra do Iraque. A terceira onda de revelações de 2010, de novo contra os Estados Unidos, teve início em 28 de novembro, quando por meio de vários jornais foram divulgadas mensagens da diplomacia americana no mundo todo.

EFE   
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