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Réu de ataques de 11/9 quebra o silêncio: "eles irão nos matar"

5 mai 2012
15h35
atualizado às 17h50

Os réus dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, em Nova York, começaram a ser julgados neste sábado após anos detidos à espera do julgamento. A abertura da corte militar, que está sendo realizada em Guantánamo, em Cuba, foi marcada por momentos de desobediência por parte dos acusados.

No início do julgamento, os réus se recusaram a responder às perguntas do juiz militar James Pohl. A situação piorou quando o acusado Ramzi Bin al-Shibh interrompeu os procedimentos ao repentinamente se levantar para rezar, depois alternadamente ajoelhar e levantar. Quando completou suas orações, ele gritou ao juiz: "Vocês vão nos matar e dizer que cometemos suicídio".

Além de Bin al-Shibh, estão sendo julgados Waleed bin Attash, Ali Abd al-Aziz Ali, Mustafa Ahmad al-Hawsawi e Khalid Sheikh Mohammed, que seria o chefe da operação que derrubou as Torres Gêmeas do World Trade Center, atingiu o Pentágono e teve um de seus ataques frustrados pela tripulação do avião que caiu na Pensilvânia. Os cinco são acusados pela morte de 2.976 pessoas.

Esta é a primeira vez que eles aparecem em público, depois de mais de três anos. Estavam sentados a uma certa distância uns dos outros, quatro deles sem algemas nas mãos, vestidos com uniformes brancos e alguns deles usando um filá, pequeno chapéu muçulmano, constatou um jornalista da AFP.

O advogado de Bin Attash pediu que seu cliente, o único algemado, fosse solto, argumentando a "dor" que provocavam. O juiz assentiu, após se assegurar de que o acusado se comprometia a "se portar de forma apropriada" e afirmou estar algemado devido ao seu "comportamento no exterior", antes da audiência.

Sheikh Mohamed, o cérebro dos ataques, exibia uma longa barba. Seu advogado, David Nevin, anunciou que seu cliente provavelmente não fará declarações na audiência porque "tem profundas preocupações sobre a imparcialidade do processo". O juiz James Pohl afirmou que seu silêncio obedecia a uma "decisão" própria.

Esta é segunda vez que os réus vão a um tribunal militar de exceção - criado há 11 anos pelo ex-presidente George W. Bush -, depois que o procedimento foi interrompido com a eleição de Barack Obama, que queria enviá-los para a Justiça comum. Ele foi, no entanto, impedido pela oposição republicana no Congresso, que bloqueou a transferência a território americano de acusados de terrorismo.

Há anos os acusados estão presos em Guantánamo à espera do julgamento - até o momento ninguém foi condenado pelos ataques terroristas de 11 de setembro. Se considerados culpados, eles podem enfrentar a pena de morte.

Após o início caótico do julgamento, os acusados optaram por manter o silêncio. O juiz decidiu ler os direitos à defesa proporcionados pelo governo americano, mas os acusados se mantiveram ausentes, lendo ou rezando com o Alcorão na mão.

Com informações de agências internacionais.

Desenho artístico feito por um funcionário do tribunal mostra Khalid Sheikh Mohammed durante audiência neste sábado
Desenho artístico feito por um funcionário do tribunal mostra Khalid Sheikh Mohammed durante audiência neste sábado
Foto: Janet Hamlin / AP
Fonte: Terra

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