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Quatro presos de Guantánamo pedem fim da alimentação induzida

1 jul 2013
19h22
atualizado às 21h26

Quatro detentos do presídio de Guantánamo em greve de fome pediram ao tribunal federal de Washington o fim da alimentação forçada, anunciaram seus advogados de defesa nesta segunda-feira.

A greve de fome inicia seu sexto mês em Guantánamo.

Os presos Ahmed Belbacha, Shaker Aamer, Abu Wa'el Dhiab e Nabil Hadjarab pedem o fim dessa prática que comparam à "tortura". A moção foi apresentada no domingo pela organização Reprieve, que os representa na Justiça, e por seu advogado de defesa Jon Eisenberg.

Em declarações transcritas pelo advogado Cori Crider, Ahmed Belbacha afirma que participa "por vontade própria dessa greve de fome, estando plenamente consciente das consequências negativas" - tanto da greve de fome, quanto da decisão de não continuar sendo alimentado à força.

Nabil Hadjarab, cuja família vive na França e para onde pode voltar, afirma que a cadeira, na qual os presos devem se sentar para serem alimentados por sondas duas vezes ao dia, "parece com uma cadeira de condenado". Nela, pernas, braços e ombros do preso ficam amarrados.

Já Shaker Aamer voltou a ingerir alimentos para não ser forçado a comer e se declarou disposto a retomar a greve de fome - desde que não seja alimentado contra sua vontade.

"Eles nos torturam todos os dias, com o pretexto de que querem preservar nossa saúde", afirma Abu Wa'el Dhiab.

A moção também exige o fim da medicação forçada, que é misturada na comida, sobretudo, no caso do Reglan, medicamento para evitar vômitos.

"Esse medicamento utilizado durante o processo de alimentação forçada pode, em longo prazo, gerar graves danos neurológicos", afirma a Reprieve em uma nota.

Segundo a organização, entre os 166 homens ainda detidos em Guantánamo, há pelos 120 em greve de fome contra sua condição jurídica indefinida. As autoridades americanas afirmam que, atualmente, 44 detentos estão sendo alimentados à força.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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