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Protesto marca aniversário de ataque a embaixada dos EUA no Irã

4 nov 2009
15h49
atualizado às 15h55
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Milhares de pessoas protestaram nesta quarta-feira em Teerã nas comemorações do 30º aniversário do ataque à embaixada dos Estados Unidos na capital iraniana, um dia que durante as três últimas décadas serviu para reafirmar os princípios do regime, mas que neste ano foi marcada por protestos da oposição.

Apesar do policiamento ostensivo, centenas de opositores reformistas aproveitaram a data para reunirem-se em diversos pontos da capital e retomar a mobilização contra a reeleição do presidente, Mahmoud Ahmadinejad, que consideram fruto de uma fraude.

Um dos pontos de maior violência foi o centro na Praça de Haft-e Tir onde manifestantes atiraram pedras contra os agentes, quando estes revidaram disparos para o alto e utilizando gás lacrimogêneo e cassetetes.

Conforme o relato de testemunhas, pelo menos 20 pessoas foram detidas e várias ficaram feridas nos distúrbios, similares aos ocorridos em junho, após a divulgação do polêmico resultado eleitoral.

Os opositores, seguidores do movimento verde, liderados pelo candidato reformista derrotado Mir Hussein Moussavi, recuperaram o grito de morte ao ditador, agregaram, em uma cidade que amanheceu tomada pelas forças de segurança.

Blocos de concreto e cordões de isolamento formados por policiais impediam o acesso às principais vias da metrópole, interrompidas por soldados anti-distúrbios, voluntários islâmicos basij armados com cassetetes, recrutas e membros dos corpos de elite, alguns cobertos com capuzes.

Além disso, agentes e milicianos paramilitares islâmicos patrulhavam de moto as divisas e facilitavam a chegada dos ônibus aos arredores da antiga embaixada americana em Teerã, onde o regime encenou a habitual manifestação do denominado "dia contra a arrogância mundial".

Milhares de pessoas, na maioria estudantes e membros das milícias basij, se concentraram em frente aos muros de tijolo vermelho do sítio, onde aplaudiam a partir do púlpito e gritaram "morte aos Estados Unidos", "morte a Israel", "morte aos ingleses" e queimaram uma bandeira americana.

"O 13 de aban - data do calendário persa - é um orgulho para todos os iranianos. Demonstra nossa vitória sobre aqueles que oprimem", disse à Agência Efe em frente à embaixada, um estudante da Universidade do Teerã.

Envolvido em uma bandeira do Irã, e com uma fita vermelha do Imame Ali na testa, fazia parte de uma partida de jovens que sustentavam cartazes na qual podia ser lidos destruiremos a raiz do complô.

A partir do palanque, um porta-voz lembrava que os Estados Unidos são o principal inimigo do Irã e que os 30 anos de resistência da República Islâmica demonstram que a democracia islâmica é um exemplo para o mundo.

Em ambos os lados da rua, um Mar Negro de jovens mulheres enfeitadas com o característico "Chador" e homens e adolescentes, muitos com uniformes militares, prometiam defender com seu sangue o líder supremo da revolução, aiatolá Ali Khamenei.

O 4 de novembro é uma data-chave para o regime iraniano, que cresceu durante os últimos anos envolvido na retórica anti-americana.

Naquele turbulento dia de 1979, que marcou um ano antes e um ano depois no futuro do Oriente Médio, estudantes islâmicos da linha do Imame Khomeini, atacaram a sede da embaixada americana, onde mantiveram reclusas 52 pessoas durante 444 dias.

Seis meses depois da tomada, ambos os países romperam os laços diplomáticos. Desde então, o grito de "morte aos Estados Unidos" ressoa em mesquitas, manifestações e atos públicos, e inclusive está gravado em um enorme mural pintado sobre a fachada de um dos edifícios altos do centro da capital.

Além disso, Washington é o "grande satã" no vocabulário da maioria dos responsáveis iranianos.

Os eventos de junho deste ano, especialmente a cruel repressão dos protestos contra a reeleição do presidente, parecem ter aberto uma brecha neste pilar do regime.

EFE   

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