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Obama lança iniciativa de mapeamento do cérebro

2 abr 2013
16h22
atualizado em 3/4/2013 às 07h16

O presidente Barack Obama anunciou nesta terça-feira um projeto de 100 milhões de dólares para mapear os mistérios do cérebro humano, tendo por objetivo buscar a cura para doenças como o mal de Alzheimer.

A iniciativa, financiada com 100 milhões de dólares do orçamento de Obama que será revelado na próxima semana, visaria ajudar a descobrir tratamentos para curar ou prevenir doenças cerebrais atualmente incuráveis, além do Alzheimer, o Parkinson e a epilepsia, assim como enfrentar traumatismos crânio-encefálicos e patologias psiquiátricas.

"O projeto sobre o cérebro dará aos cientistas as ferramentas necessárias para obter uma imagem do cérebro em ação e permitirá ao menos compreender como pensamos, aprendemos ou memorizamos", declarou o presidente na Casa Branca, destacando que o cérebro "ainda é um enorme mistério que resta elucidar".

Obama insistiu na importância para o crescimento econômico de investir em pesquisas, mesmo em um contexto de restrições orçamentárias.

"A cada dólar gasto no projeto de sequenciamento do genoma humano nós conseguimos um rendimento de 140 dólares", afirmou o presidente em alusão ao bem sucedido esforço lançado em 1990, que custou 3,8 bilhões de dólares.

O novo projeto, denominado BRAIN (Brain Research through Advancing Innovative Neurotechnologies, ou cérebro em inglês), deve acelerar o desenvolvimento e a aplicação de novas tecnologias que permitiriam produzir imagens das interações entre as células cerebrais e a complexidade de circuitos neurais na velocidade do pensamento, explicou a Casa Branca.

Estas tecnologias abririam novas possibilidades para explorar a forma como o cérebro memoriza, processa, armazena e recupera enormes quantidades de informação, oferecendo um novo panorama sobre os vínculos complexos entre as funções cerebrais e o comportamento humano.

"O computador mais poderoso do mundo não é tão intuitivo quanto o que temos desde que nascemos", afirmou Obama na Casa Branca.

Vários institutos particulares de pesquisa estão envolvidos no projeto, dirigido pelos Institutos Nacionais de Saúde (NIH, em inglês), pela Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa, vinculada ao Pentágono, e pela Fundação de Ciência Nacional.

Entre eles, está o Allen Instituto, criado pelo milionário fundador da Microsoft Paul Allen, que destinará 60 milhões de dólares ao ano para o projeto, o Howard Hughes Medical Institute, maior instituição de pesquisa médica privada (60 milhões), o Salk Institute (28 milhões) e a Fundação Kavli (4 milhões).

Segundo declarações de cientistas ao jornal The New York Times, cientistas envolvidos no projeto, a pesquisa demandará recursos federais da ordem de US$ 300 milhões ao ano, isto é, US$ 3 bilhões em uma década.

O Congresso deve aprovar ainda o desembolso dos US$ 100 milhões anunciados por Obama.

Apesar dos avanços para desvendar o funcionamento do cérebro, ainda se desconhecem muitas coisas sobre este órgão de 1,3 quilo em média, dotado de 100 bilhões de neurônios, que produzem bilhões de conexões em forma de sinais elétricos ou químicos.

Especialistas em nanotecnologia e neurologistas pensam que as tecnologias agora são capazes de fornecer uma visão mais completa do cérebro.

Em um estudo publicado em 2012 na revista Neuron, vários cientistas propunham mapear o cérebro usando dispositivos do tamanho de uma molécula, capazes de registrar e medir as atividades cerebrais em nível celular.

A iniciativa norte-americana anunciada por Obama não é a única anunciada este ano sobre o cérebro.

Em janeiro, foi lançado um projeto europeu com um orçamento de 1 bilhão de euros (1,283 bilhão de dólares) para uma pesquisa chefiada por um grupo suíço, destinada a produzir um modelo do cérebro baseado em uma simulação feita por um supercomputador, usando as pesquisas feitas até agora sobre as funções cerebrais.

No evento de lançamento do projeto na Casa Branca, Obama foi apresentado como o "cientista-em-chefe" pelo diretor do NIH, Francis Collins, e sua administração não hesita em demonstrar que, apesar dos tempos de austeridade, os investimentos em ciência são essenciais.

"Estou feliz por ter sido promovido a cientista-em-chefe - levando-se em conta minhas notas em física, não sei se eu merecia", disse o presidente.

"Mas dou à ciência a importância adequada, então talvez eu tenha algum crédito", completou.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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