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Obama diz que outros seriam "mais qualificados" para Nobel

10 dez 2009
08h51
atualizado às 10h35

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmounesta quinta-feira que outros candidatos poderiam ser "mais qualificados" do que ele para o Prêmio Nobel da Paz, que ele receberá hoje em cerimônia no auditório municipal de Oslo.

Em uma breve entrevista coletiva junto com o primeiro-ministro norueguês, Jens Stoltenberg, Obama se referir, assim, às críticas de muitos que consideram a concessão do prêmio prematura, já que o presidente americano está há apenas 11 meses no cargo.

"Não resta dúvida de que há outros candidatos que poderiam estar mais qualificados do que eu", disse o presidente americano, acrescentando que seu objetivo não é "ganhar um concurso de popularidade", mas promover os interesses de seu país.

Obama disse que a concessão do prêmio lhe serve de estímulo para continuar seu trabalho em assuntos que são importantes para os EUA e para tentar conseguir uma paz e segurança duradouras no mundo.

Se for bem-sucedido, ressaltou, todas as críticas que está recebendo agora pela concessão do prêmio serão caladas. Neste sentido, citou entre suas prioridades a luta contra a proliferação nuclear e a mudança climática, e a estabilização do Afeganistão.

Obama, que na semana passada ordenou o envio de mais 30 mil soldados ao Afeganistão, ressaltou que "não há nada ambíguo" na data que fixada para começar a saída das tropas americanas desse país, em julho de 2011.

Oprimidos do mundo
Ao assinar o livro de convidados do Instituto Nobel, uma tradição entre os premiados, Obama felicitou o Comitê Nobel por "dar voz aos que não têm e aos oprimidos do mundo". O presidente americano receberá o Nobel da Paz em uma cerimônia solene no auditório municipal da capital norueguesa.

Uma multidão esperava o presidente em sua chegada ao instituto, com música, bandeiras e um cartaz escrito em inglês: "Você ganhou o Nobel, agora o mereça". No recinto onde se reúne o Comitê Nobel, decorado com fotos e emblemas de premiados anteriores, Obama se sentou em uma mesa oval para assinar o livro de convidados, ao lado da esposa, Michelle Obama.

O presidente assinou um parágrafo de sete linhas, enquanto a mulher - com um vestido cinza enfeitado com um broche de prata - brincava: "o que está escrevendo, um livro? Minha dedicatória não será tão longa".

Obama especificou que tinha "felicitado o Comitê por seu trabalho não só a favor da paz, mas também para dar voz aos que não a têm e aos oprimidos do mundo".

Em declarações à imprensa que o acompanha, citou o exemplo do defensor dos direitos civis para os negros Martin Luther King, para evidenciar que a concessão do prêmio "elevou seu prestígio nos EUA de modo que o permitiu ser mais efetivo".

Após a breve visita ao instituto, Obama se reuniu com o primeiro-ministro norueguês, Jens Stoltenberg, antes de ser recebido, junto com a primeira-dama, pelos reis da Noruega, Harald e Sonja.

O primeiro-ministro norueguês disse que a concessão do Nobel a Obama é "merecida e importante". "Não posso pensar em outra pessoa que tenha feito mais pela paz ao longo deste ano que se passou", disse Stoltenberg.

A cerimônia de entrega do Nobel começará às 13h (10h de Brasília) no auditório municipal de Oslo. A chegada do presidente a Oslo ocorreu em meio a fortes medidas de segurança, na operação de maiores dimensões já desenvolvida na Noruega e que teve custo de quase 92 milhões de coroas (US$ 16 milhões).

Cerca de 2,5 mil policiais estão mobilizados e foram colocadas barreiras ao longo das principais avenidas da cidade.

EFE   
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