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Obama defende construção de mesquita próxima ao 'marco zero'

13 ago 2010
21h56
atualizado em 14/8/2010 às 00h47
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O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou nesta sexta-feira que os muçulmanos têm direito a construir uma mesquita perto do Marco Zero, em Nova York, onde ficavam as torres gêmeas, apesar da polêmica gerada pelo projeto. "Como cidadão e como presidente, acredito que os muçulmanos têm o mesmo direito a praticar sua religião como qualquer outra pessoa neste país. Isso inclui o direito a construir um lugar de oração e um centro comunitário em uma propriedade privada em Manhattan, de acordo com as leis e ordenanças locais", disse Obama.

O presidente americano fez as declarações em um jantar "iftar", refeição que quebra o jejum diário do mês sagrado do Ramadã, na Casa Branca. Durante seu discurso diante de líderes da comunidade muçulmana nos EUA, o presidente destacou a tolerância religiosa como um dos alicerces do país. Ele enfatizou ainda que os inimigos dos EUA não respeitam a liberdade de religião e que a causa seguida pela Al Qaeda, responsável pelos atentados terroristas de 2001, "não é o islã, é uma grande distorção do islã". "Estes não são líderes religiosos, são terroristas que assassinam homens, mulheres e crianças inocentes. De fato, a Al Qaeda assassinou mais muçulmanos que gente de outras religiões, e essa lista de vítimas inclui muçulmanos inocentes que foram assassinados no 11 de setembro", disse Obama.

O centro cultural islâmico, uma iniciativa da Cordoba Initiative, foi avaliado em US$ 100 milhões e incluirá um auditório, uma piscina, um ginásio e uma mesquita. Recentemente, o projeto enfrentou a resistência de grupos em Nova York que asseguram que a mesquita é uma ofensa para as vítimas dos atentados e seus familiares, contra outros que insistem em que a construção do centro enviaria uma mensagem de tolerância e coexistência pacífica entre as diferentes comunidades de fé. Segundo uma recente pesquisa da CNN, cerca de 70% dos americanos se opõem ao plano e apenas 29% o aprovam. Entre os defensores da mesquita estão o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, e vários grupos judeus, para quem a construção do templo islâmico seria uma prova de tolerância e diversidade cultural e religiosa nos EUA. Bloomberg inclusive emitiu um comunicado no qual aplaude a defesa da liberdade religiosa feita por Obama, segundo a CNN.

Do lado opositor estão vários líderes republicanos, entre eles a ex-governadora do Alasca Sarah Palin e Peter King, congressista pelo estado de Nova York, para quem Obama "está errado". Segundo King, o plano de construção da mesquita é uma prova da "insensibilidade" da comunidade muçulmana em relação às pessoas que sofreram com os ataques de 11 de setembro de 2001.

Caso o projeto avance, a mesquita só abriria as portas em 2014, segundo a Cordoba Initiative. Antes de Obama falar publicamente sobre a mesquita, a Casa Branca insistia que se tratava de um "assunto local" de Nova York.

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EFE   
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