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NSA, a agência mais secreta dos EUA, a serviço do "Big Brother"

A NSA é dependente do Pentágono e conta com mais de 37 mil empregados civis e militares

10 jun 2013
17h49
atualizado às 18h08
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Poucos conhecem os detalhes das operações secretas de espionagem digital que acontecem nos edifícios de janelas de vidros pretos da Agência de Segurança Nacional (NSA) nos arredores de Washington, embora as últimas revelações da imprensa permitam entrever o que para alguns é "a ponta do iceberg".

Documento secreto mostra sites e informações epionadas
Documento secreto mostra sites e informações epionadas
Foto: Reprodução

"Aqui é onde você conhece os segredos de verdade", comentava no ano passado um diplomata ao olhar em Fort Meade (Maryland) para o centro de operações da NSA, a caminho de uma das audiências da corte marcial contra Bradley Manning pelo caso Wikileaks. O soldado, acusado do maior vazamento de informação confidencial da história, está sendo julgado em uma base militar que é o coração da ciberinteligência dos EUA.

Após os atentados de 11 de setembro de 2001, a NSA, dependente do Pentágono e com mais de 37 mil empregados civis e militares, conseguiu poderes mais amplos para controlar as comunicações dentro e fora dos Estados Unidos e filtrar montanhas de dados que permitam um dia desmontar um complô terrorista.

As regras que regem a mais obscura agência federal americana são em sua maioria secretas e conhecidas em detalhes apenas por poucos assessores do presidente Barack Obama, legisladores (alguns dos quais pediram informações que lhes foram negadas) e juízes em Washington.

A própria existência da NSA, criada em 1952 pelo presidente Harry Truman, foi escondida da população por mais de 20 anos e, apesar da chegada de Obama e de seus apelos por transparência, seus poderes continuam sendo tão amplos agora como durante os anos de George W. Bush.

Desde 2008, quando com um grande apoio bipartidário o Congresso reformou a lei de vigilância de comunicações estrangeiras (Fisa) para relaxar em grande número de casos o controle judicial, a NSA criou o maior complexo de análise de dados digitais conhecido.

Tanto é assim, que neste outono a NSA espera ter em atividade um complexo no deserto de Utah que custaria bilhões de dólares e permitiria processar e armazenar uma quantidade de dados mais de cinco vezes maior do que todo o tráfego anual de internet em nível mundial, segundo uma investigação da "Fox News".

No verão passado, o general Keith Alexander, diretor da NSA desde 2005, visitou pela primeira vez a reunião de hackers mais importante dos EUA, a Defcon. Ali tachou de "absurdos" os rumores de que a agência teria arquivos de 260 milhões de cidadãos americanos e lembrou que seus trabalhos se limitam à "inteligência no exterior".

William Binney, ex-diretor técnico da NSA, criticou duramente as declarações e adiantou que a agência tem a capacidade - e a executa - de obter sem controle judicial dados de redes sociais, de e-mails e registros de ligações telefônicas tanto fora como dentro dos Estados Unidos.

"Deixei a NSA porque começaram a espionar todo o mundo dentro do país", assegurou o verão passado em uma entrevista à revista "Wired".

Segundo as recentes revelações de veículos de imprensa como "Washington Post" ou "The Guardian", a NSA reúne diariamente "metadados" de ligações telefônicas nos EUA, que incluem números, duração e localização das chamadas, o que um grupo de juízes conhecidos como Tribunal Fisa autorizou para períodos de 90 dias.

Além disso, o programa "top secret" Prism permite acessar diretamente os servidores de nove das maiores empresas de internet, entre elas Microsoft, Google e Apple, para vigiar mensagens, vídeos e fotos no exterior em que encontrar padrões relacionados a atividades terroristas.

Em entrevista este fim de semana com "Washington Times", Binney assegurou que estas filtragens são só "a ponta do iceberg", já que a NSA dispõe de até 20 bilhões de registros telefônicos e e-mails de americanos.

Apesar do sigilo, tanto para Obama como para congressistas democratas e republicanos a ampla gama de atuações permitidas à NSA é essencial para evitar novos ataques contra interesses americanos.

Carrie Cordero, uma ex-funcionária do Departamento de Justiça especialista no assunto, disse na sexta-feira em artigo de opinião que os vazamentos dos programas altamente sigilosos da NSA não contribuem mais que para permitir que "nossos adversários tenham a informação e portanto o poder de adaptar suas técnicas e nos atacar".

EFE   
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