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Mãe diz que Assange segue comprometido com publicação de dados

14 dez 2010
09h09
atualizado às 09h30

O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, disse à sua mãe que continua comprometido com a divulgação de documentos secretos dos Estados Unidos, apesar da condenação de Washington e de outros países, informou a televisão australiana nesta terça-feira. Assange está preso em uma prisão de Londres.

A TV australiana Network Seven pediu a Christine Assange que fizesse uma pergunta ao filho de 39 anos durante uma visita a ele na prisão: "Valeu a pena?"

"Minhas convicções são firmes. Continuo firme aos ideais que expressei. As circunstâncias não irão abalá-los", disse Assange, segundo sua mãe que entregou a resposta por escrito de seu filho à emissora.

"Esse processo aumentou minha determinação de que as informações são verdadeiras e corretas."

O Wikileaks enfureceu Washington ao publicar telegramas secretos dos EUA e prometeu tornar públicos os 250 mil documentos diplomáticos que afirma possuir.

Assange foi detido na Grã-Bretanha sob acusações de assédio sexual na Suécia.

Ele também criticou as principais empresas financeiras que suspenderam o fornecimento de serviços de pagamentos de doações ao WikiLeaks.

"Sabemos agora que Visa, Mastercard, Paypal e outras são instrumentos da política externa dos EUA. Não é algo que sabíamos antes", disse Assange. "Estou pedindo ao mundo para que proteja meu trabalho e minha equipe desses ataques ilegais e imorais."

Ativistas online lançaram a "Operation Payback" para vingar o WikiLeaks de empresas e entidades que consideram como responsáveis por obstruírem operações do site. Eles tiraram do ar temporariamente páginas das empresas de cartões de crédito Visa e Mastercard, além do site do governo sueco, na semana passada.

Christine Assange afirmou que disse ao seu filho que ele tem apoio mundial. "Eu disse a ele que pessoas do mundo inteiro, de todos os países estavam se manifestando com placas e gritando pela sua libertação e justiça e ele ficou muito encorajado com isso", disse ela. "Como mãe, estou pedindo ao mundo para dar apoio ao meu filho."

Advogados de Assange vão tentar novamente nesta terça-feira conseguir a libertação do fundador do WikiLeaks sob fiança. Assange é acusado de conduta sexual indevida contra duas voluntárias do WikiLeaks durante uma passagem pela Suécia. Assange nega as acusações.

O fundador do WikiLeaks e seus advogados afirmam que temem que promotores dos EUA podem estar tentando indiciá-lo por espionagem depois da publicação dos documentos diplomáticos norte-americanos.

O vazamento WikiLeaks
No dia 28 de novembro, a organização WikiLeaks divulgou mais de 250 mil documentos secretos enviados de embaixadas americanas ao redor do mundo a Washington. A maior parte dos dados trata de assuntos diplomáticos - o que provocou a reação de diversos países e causou constrangimento ao governo dos Estados Unidos. Alguns documentos externam a posição dos EUA sobre líderes mundiais.

Em outros relatórios, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, pede que os representantes atuem como espiões. Durante o ano, o WikiLeaks já havia divulgado outros documentos polêmicos sobre as guerras do Afeganistão e do Iraque, mas os dados sobre a diplomacia americana provocaram um escândalo maior. O fundador da organização, o australiano Julian Assange, foi preso no dia 7 de dezembro, em Londres, sob acusação emitida pela Suécia de crimes sexuais.



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