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Maduro propõe diálogo a Obama e cogita nomear embaixador americano

21 fev 2014
23h26
atualizado em 22/2/2014 às 00h11
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O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, propôs nesta sexta-feira um diálogo com o líder americano, Barack Obama, e se mostrou disposto a voltar a nomear um embaixador no país, dias após ter expulsado da Venezuela três diplomatas norte-americanos.

Presidente venezuelano, Nicolas Maduro, fala em entrevista coletiva
Presidente venezuelano, Nicolas Maduro, fala em entrevista coletiva
Foto: EFE

"Convoco um diálogo com o senhor presidente Obama. Convoco um diálogo entre a Venezuela patriota e revolucionária e os Estados Unidos e seu governo. Aceite o desafio, vamos iniciar um diálogo e ponhamos a verdade sobre a mesa", disse Maduro em entrevista coletiva no Palácio de Miraflores.

O líder afirmou que Obama está perante a oportunidade de decidir "o que faz" nos anos de governo que lhe restam, ao assinalar que ainda tem tempo de diferenciar-se de seu antecessor, George W. Bush, a quem acusou de tentar derrubar o falecido presidente Hugo Chávez "várias vezes".

"Eu digo isto e alguns dirão 'Maduro é um inocente'. Não, nós sempre pela via do diálogo político buscaremos uma nova situação, uma mudança das relações históricas da elite americana com a América Latina e com a Venezuela", ressaltou.

Maduro disse que seu chamado a um debate com os Estados Unidos atendia as declarações do próprio Obama e de seu secretário de Estado, John Kerry, instando ao diálogo entre o governo e a oposição venezuelana, que estão há mais de uma semana confrontados em protestos nas ruas.

Em entrevista coletiva onde reiterou que os protestos buscam desestabilizar a Venezuela com a anuência de grupos americanos, cumprimentou as declarações formuladas hoje pela secretária de Estado adjunta dos EUA para a América Latina, Roberta Jacobson, que negou ter ameaçado o governo venezuelano com represálias caso mantivesse detido o líder opositor Leopoldo López.

"Saúdo esse desmentido", declarou. "Eu proponho então um grande diálogo, que nomeemos embaixadores, mesmo que não sejam aceitos ainda, para que se sentem a falar", acrescentou, afirmando que está disposto a para nomear para esse cargo o atual embaixador da Venezuela na Organização de Estados da América (OEA), Roy Chaderton.

CNN
Maduro insistiu com suas críticas à emissora CNN en Español, pediu "equilíbrio" e que o canal retifique sua cobertura para seguir presente na programação das operadoras de televisão a cabo do país. "Eu sei que o país me acompanha nesta investigação administrativa que abri, confio na retificação da CNN", disse em entrevista coletiva.

Maduro acusou a CNN na última quarta-feira de "propaganda de guerra" contra seu país e disse que começou o procedimento administrativo para expulsar o canal do país se este não se retratar. Nesta sexta-feira, insistiu com seus questionamentos ao afirmar que "toda a programação" do canal americano o fez lembrar-se da televisão venezuelana durante o fracassado golpe de Estado contra o presidente Hugo Chávez em 2002.

Ao mesmo tempo, afirmou que o canal sempre operou com liberdade no país e que poderia continuar assim, "mas com equilíbrio" e respeitando as leis venezuelanas. "Aquele que não respeitar as leis da Venezuela e nosso direito à paz não poderá estar na grade das operadoras de TV a cabo", declarou.

Para o líder venezuelano, a CNN está convocando o país para uma "guerra civil e estão mentindo ao mundo sobre o que está acontecendo na Venezuela". Maduro pediu desculpas a outra equipe da CNN, a Internacional, que denunciou que foram vítimas de um assalto em Caracas e garantiu que o caso será investigado para descobrir os culpados.

Suas declarações foram divulgadas ao final de um dia em que a rede CNN informou que o governo da Venezuela comunicou ontem a sua correspondente em Caracas, Osmary Hernández, que sua licença de trabalho "como correspondente credenciada" havia sido revogada, uma medida que também afeta a apresentadora Patricia Janiot.

A CNN disse não ter recebido notificação oficial do órgão regulador venezuelano sobre o procedimento contra a emissora e garantiu que, desde que começaram os protestos populares, "reportou os dois lados da tensa situação que vive a Venezuela, mesmo com acesso muito limitado aos funcionários do governo".

O canal americano não é a primeira rede de televisão a sofrer pressões de Maduro. No dia 12 de fevereiro, o governo venezuelano retirou da grade da TV a cabo do país o canal informativo colombiano NTN24, e o acusou de criar "agitação" com sua cobertura dos protestos no país.

EFE   
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