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Irã critica Hillary por apoiar manifestações da oposição

15 fev 2011
09h40
atualizado às 10h17

Irã criticou nesta terça-feira a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, por ter expressado seu apoio aos protestos da oposição iraniana, que o regime reprimiu na segunda-feira por considerarem ilegais.

14 de fevereiro - Fotografia tirada por um manifestante e obtida pela agência AP mostra um grupo opositor enfrentando policiais nas ruas de Teerã
14 de fevereiro - Fotografia tirada por um manifestante e obtida pela agência AP mostra um grupo opositor enfrentando policiais nas ruas de Teerã
Foto: AP

O porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores iraniano, Ramin Mehmanparast, afirmou perante a imprensa, além disso, que Washington interpreta de forma errônea o que ocorre no Oriente Médio, já que, segundo a percepção de seu país, o que sucede realmente é que a região deseja livrar-se dos Estados Unidos e o sionismo.

"Os comentários que fazem os responsáveis norte-americanos estes dias emanam da confusão devido às mudanças que se estão ocorrendo na região", afirmou, em sua habitual entrevista coletiva semanal.

"Essas mudanças infligem um dano aos interesses dos poderes dominantes e daqueles que respaldam o sionismo. Com este tipo de declarações unicamente tentam ocultar este fato", acrescentou o porta-voz.

A oposição iraniana retomou a rua na segunda-feira após meses silenciada com uma manifestação de apoio às revoltas do norte da África, que foi ilegalizada pelas autoridades e reprimida pelas Forças de Segurança.

Segundo fontes oficiais, uma pessoa foi morta e várias outras ficaram feridas em conflitos no centro da capital Teerã, onde milhares de pessoas se reuniram.

A imprensa oficial acusou as organizações de oposição no exílio, que considera separatistas, da morte do civil.

Os grupos opositores denunciaram que a Polícia utilizou gás lacrimogêneo e armas de fogo para dispersar os manifestantes, que gritaram palavras de ordem contra o regime iraniano e em favor do Egito e Tunísia.

Além disso, asseguraram que dezenas de pessoas foram detidas tanto na capital como nas cidades de Isfahan e Shiraz, no centro e sul respectivamente do país.

A oposição iraniana denunciou, além disso, a "hipocrisia" das autoridades locais, que expressaram seu apoio às revoltas árabes, mas impedem os protestos de sua população.

A este respeito, Clinton afirmou na noite de segunda-feira seu desejo que "a oposição e o valente povo (que saiu) às ruas das cidades do Irã tenham a mesma oportunidade que vimos que tiveram os egípcios nas últimas semanas".

"Apoiamos os direitos universais da nação iraniana. Eles merecem ter os mesmos direitos", acrescentou.

Em resposta a estas palavras, Mehmanparast assinalou nesta manhã de terça-feira que "as mudanças que o povo quer na região é que as grandes potências deixem de intrometer-se em seus assuntos internos e que desapareça a dependência dos Estados Unidos, dos sionistas e de seus aliados".

EFE   
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