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Hong Kong ignora pedidos dos EUA e permite fuga de Snowden a Moscou

23 jun 2013
09h25
atualizado às 09h35

O ex-técnico da CIA (agência de inteligência americana), Edward Snowden, deixou Hong Kong neste domingo rumo a Moscou, um dia após os Estados Unidos solicitarem formalmente sua extradição, algo que o governo da administração especial chinesa rejeitou por considerar que a ordem não cumpria todos os requisitos legais

Segundo o jornal "South China Morning Post", Snowden partiu da antiga colônia britânica em um voo da companhia aérea russa Aeroflot às 11h04 (0h04 de Brasília) que deve aterrissar no Aeroporto Internacional Shermetyevo, na capital russa, às 17h15 (10h15 de Brasília).

De acordo com fontes da companhia aérea, Snowden estará de passagem em Moscou para continuar possivelmente rumo a Havana.

Por sua parte, o Wikileaks revelou que ajudou Snowden a deixar Hong Kong. Em sua conta no Twitter, o portal fundado pelo australiano Julian Assange informou que "ajudou no asilo político" do ex-técnico da CIA, "facilitando documentos de viagem e uma saída segura rumo a um país democrático".

O Executivo de Hong Kong ressaltou que Snowden saiu da cidade asiática "por vontade própria a um terceiro país através de um canal legal e normal", uma vez que os documentos apresentados pelo governo dos EUA não cumpriam plenamente os requisitos legais.

Perante essas supostas anomalias, as autoridades asiáticas solicitaram "informação adicional" para que o Departamento de Justiça pudesse considerar a solicitação, dando a Snowden um tempo que foi aproveitado para sair de Hong Kong, região que mantém um acordo de extradição com os EUA.

"A falta de informação para processar a solicitação de ordem de detenção provisória não dá pé a uma base legal para impedir que o senhor Snowden abandone Hong Kong", explicou o governo da ilha em comunicado.

Este também apresentou uma mensagem formal aos EUA solicitando esclarecimentos sobre os relatórios vazados por Snowden nos quais revelou os programas de espionagem eletrônica clandestinos realizados em empresas e sistemas informáticos da antiga colônia britânica.

Desta forma, Snowden continua seu périplo para driblar a ordem de detenção oficial emitida pelos EUA, em voo à Rússia, país que poderia representar uma escala a seu possível destino final, que algumas fontes acreditam que poderia ser a Venezuela.

Segundo informaram as agências de notícias russas "Interfax" e "Itar-Tass", citando fontes da companhia aérea russa Aeroflot, Snowden tem um voo reservado rumo a Havana para segunda-feira de manhã e, mais tarde, voaria dali até Caracas.

As mesmas fontes apontam que o ex-técnico da CIA e trabalhador externo da Agência Nacional de Segurança dos EUA (NSA) teria optado por uma rota complexa com a esperança de não ser detido e poder chegar a seu destino final.

No entanto, outros analistas cogitam outros possíveis pontos finais da odisseia de Snowden, como a Islândia ou o Equador, país ao qual Assange solicitou asilo e em cuja embaixada em Londres está refugiado há um ano.

Poucas horas antes da partida de Snowden, a imprensa de Hong Kong publicou novas acusações do informático contra o programa de espionagem cibernética do qual fez parte.

O "South China Morning Post" revelou que a Universidade Tsinghua de Pequim, um dos centros de pesquisa mais prestigiados da China em setores como o tecnológico, foi alvo de espionagem eletrônica por parte dos EUA.

De Tsinghua, uma espécie de coluna vertebral da rede de internet da China, poderiam ter sido extraídos dados eletrônicos de milhões de cidadãos do país, destacou Snowden na entrevista.

Segundo suas revelações, o ataque mais recente aconteceu em janeiro e chegaram a contabilizar, em um só dia, acessos remotos a 63 computadores e servidores do complexo universitário.

Snowden também declarou que as empresas de telefonia celular chinesas foram alvo de espionagem americana, com a intenção de obter informação das mensagens de texto, um dos modos de comunicação mais utilizados no gigante asiático.

"A NSA faz todo tipo de coisas, como piratear companhias de telefones celulares chineses para roubar todos os dados de texto", assegurou Snowden ao "South China Morning Post".

EFE   

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