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Hillary reconhece casamento gay, mas adota postura cautelosa

27 jun 2011
15h44
atualizado às 17h23

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, reconheceu nesta segunda-feira a importância da legalização do casamento homossexual no estado de Nova York, mas evitou esclarecer se respaldaria essas uniões em nível nacional.

Hillary falou hoje no Departamento de Estado, em Washington
Hillary falou hoje no Departamento de Estado, em Washington
Foto: AFP

A ex-senadora considerou, em um discurso pelo mês nacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros (LGBT), que a decisão da última sexta-feira é "histórica" porque "dá uma grande visibilidade e credibilidade ao trabalho" que os defensores dessas comunidades fizeram ao longo de muitos anos.

Hillary, que se opôs ao casamento homossexual mas respaldou as uniões civis tanto durante sua passagem pelo Senado como nas primárias democratas pela Presidência em 2008, garantiu no início deste ano que sua postura não tinha mudado.

Portanto muitos esperavam sua reação à aprovação da medida em Nova York, onde a proposta do governador Andrew Cuomo reuniu 33 votos a favor e 29 contra, transformando o estado no sexto do país, e o maior em população, a legalizar o casamento gay.

Em discurso prudente, na mesma linha das declarações do presidente Barack Obama na sexta-feira, Hillary demonstrou seu apoio aos avanços que a medida representa para a comunidade homossexual, mas evitou abrir a porta para uma possível mudança de política em nível nacional.

"Neste tipo de assunto, nosso país e nossos valores estão verdadeiramente em jogo", afirmou a secretária de Estado, para quem a luta dos homossexuais é "uma das batalhas de direitos humanos mais urgentes e importantes de todos os tempos".

A secretária de Estado destacou os avanços neste terreno em 2011, como a aprovação este mês da resolução contra a discriminação por orientação sexual no Conselho de Direitos Humanos da ONU e o reforço da prevenção da violência contra os homossexuais em Honduras, entre outros.

Hillary também contou a história de um senador republicano que decidiu mudar seu voto na medida aprovada na sexta-feira "porque não suportava pensar que parte dos cidadãos que representa fosse tratada de forma diferente".

A entrada de Nova York na lista de estados que reconhecem o casamento homossexual duplicará o total da população americana que vive em estados onde esse tipo de união é legal - lista completada por Massachusetts, New Hampshire, Vermont, Connecticut e Iowa, além de Washington.

"O resultado em Nova York terá um grande impacto na hora de dar forma ao debate sobre o assunto em todo o país", disse ao jornal "The New York Times" o porta-voz da organização Human Rights Campaign, Fred Sainz.

No entanto, os analistas lembram que toda vez que um estado lançou uma iniciativa para ilegalizar as uniões entre homossexuais, esta triunfou. O caso mais sonoro foi o do plebiscito na Califórnia em 2008, conhecido como Proposition 8.

Mas o triunfo da medida em Nova York encorajou a luta pela aprovação de uma medida similar em Maryland, Rhode Island, Delaware, Nova Jersey e Pensilvânia, estados com maioria democrata em seus Parlamentos.

Segundo uma pesquisa publicada em maio pelo Instituto Gallup, 53% dos americanos acredita que a lei federal deveria reconhecer as uniões homossexuais, apontando pela primeira vez na história que a maioria da população respalda os casamentos entre pessoas do mesmo sexo.

O fato de a campanha para legalizar as uniões gay em Nova York ter sido financiada em grande parte por doadores republicanos reforça o otimismo dos ativistas que apoiam a medida, que, no entanto, sentem falta de um respaldo claro e concreto do Governo Obama.

EFE   
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