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Fundador do WikiLeaks faz acusações antes de audiência

14 dez 2010
09h45
atualizado às 10h56

Julian Assange, fundador do WikiLeaks, acusou as empresas que deixaram de prestar serviços ao seu site de estarem a serviço da política externa dos EUA, e pediu ajuda para que seu trabalho seja protegido de "ataques ilegais e imorais".

Assange está preso na Grã-Bretanha, de onde poderá ser extraditado para a Suécia para responder por acusações de crimes sexuais, os quais ele nega ter cometido. Numa audiência ainda nesta terça-feira, seus advogados vão pedir a libertação sob pagamento de fiança.

O site criado por ele enfureceu os EUA ao começar a divulgar cerca de 250 mil comunicações diplomáticas sigilosas, que causaram constrangimento para Washington e outros governos.

Em conversa com sua mãe na prisão britânica, ele disse que não vai se intimidar. "Minhas convicções são firmes. Continuo firme aos ideais que expressei. As circunstâncias não irão abalá-los", disse Assange, 39 anos, segundo nota entregue por sua mãe, Catherine, a uma TV australiana.

"Sabemos agora que Visa, Mastercard, Paypal e outras são instrumentos da política externa dos EUA. Não é algo que sabíamos antes", disse Assange. "Estou pedindo ao mundo para que proteja meu trabalho e minha equipe desses ataques ilegais e imorais."

Na semana passada, simpatizantes de Assange realizaram pela internet a "Operation Payback" ("Operação Troco"), tirando do ar os sites da Visa, Credicard e do governo sueco, entre outros.

Mas o advogado de Assange, Mark Stephens, sugeriu que seu cliente discorda desses ataques. "Quando eu disse a Julian sobre os ciberataques... ele disse: 'Olhe, já fui alvo de ciberataques. Acredito na liberdade de expressão, não acredito em censura, e claro que os ciberataques são justamente isso", afirmou Stephens na terça-feira ao canal Sky News.

Segundo o advogado, Assange fica isolado na cadeia "vinte três horas e meia por dia". "Ele não tem acesso a jornais, televisão ou outros dispositivos noticiosos; não recebe correspondência, está submetido às mais insignificantes formas de censura", afirmou.

Assange e seus advogados já manifestaram temores de que promotores dos EUA queiram indiciá-lo por espionagem por causa dos vazamentos do WikiLeaks.

O vazamento WikiLeaks
No dia 28 de novembro, a organização WikiLeaks divulgou mais de 250 mil documentos secretos enviados de embaixadas americanas ao redor do mundo a Washington. A maior parte dos dados trata de assuntos diplomáticos - o que provocou a reação de diversos países e causou constrangimento ao governo dos Estados Unidos. Alguns documentos externam a posição dos EUA sobre líderes mundiais.

Em outros relatórios, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, pede que os representantes atuem como espiões. Durante o ano, o WikiLeaks já havia divulgado outros documentos polêmicos sobre as guerras do Afeganistão e do Iraque, mas os dados sobre a diplomacia americana provocaram um escândalo maior. O fundador da organização, o australiano Julian Assange, foi preso no dia 7 de dezembro, em Londres, sob acusação emitida pela Suécia de crimes sexuais.



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