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Fragmentação da Al Qaeda torna mais difícil se defender do terrorismo

5 ago 2013
20h04
atualizado às 20h20

A amplitude do alerta terrorista que levou os Estados Unidos a fechar mais de 20 embaixadas e consulados no mundo muçulmano mostra o quão difícil é se proteger de possíveis ataques de uma Al Qaeda fragmentada e dispersa como a atual, afirmam analistas.

"O problema que enfrentamos hoje é que provavelmente há mais células da Al Qaeda e de seus aliados no mundo árabe do que nunca, devido ao caos que se seguiu à Primavera Árabe", explicou Bruce Riedel, analista do Instituto Brookings, ao jornal "Wall Street Journal".

Seth Jones, especialista em terrorismo de Rand Corporation, comentou ao "New York Times" que os Estados Unidos atualmente "têm que fazer frente a uma série de grupos terroristas em vários continentes que geralmente não se coordenam entre si".

Na mesma linha, o ex-secretário de Segurança Nacional Michael Chertoff, durante o governo de George W. Bush, disse à rede "ABC" que uma Al Qaeda "dispersa" como a atual é "mais perigosa" porque tem "um campo de batalha mais amplo", desde a África Ocidental até o Sul da Ásia.

O próprio porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, admitiu nesta segunda-feira que embora o "coração" da Al Qaeda, concentrado tradicionalmente no Paquistão e no Afeganistão, "tenha sido reduzido", afiliadas como a Al Qaeda na Península Arábica (AQAP), sediada no Iêmen, "se fortaleceram".

A ameaça que disparou os alertas está vinculada à AQAP e foi descoberta graças à intercepção pela inteligência americana de comunicações eletrônicas entre dirigentes da rede terrorista.

Os EUA atribuíram à Al Qaeda a tentativa frustrada do jovem nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab de ir de Amsterdã a Detroit em um avião comercial no Natal de 2009 com explosivos escondidos nas roupas íntimas.

Uma das maiores preocupações para os EUA é um cidadão saudita da AQAP chamado Ibrahim Al Asiri, especialista em explosivos e cérebro da experimentação para desenhar novas bombas.

Em 2012, os Estados Unidos realizaram mais de 40 ataques com mísseis e aviões não tripulados, conhecidos como 'drones', contra supostos alvos de AQAP no Iêmen, entre eles Asiri. Neste ano, já houve mais de 12 tentativas.

Na semana passada, o líder iemenita, Abdo Rabbo Mansour Hadi, visitou na Casa Branca o presidente Barack Obama, e ambos acordaram em fortalecer a cooperação bilateral antiterrorista, e em particular contra a AQAP.

Riedel publicou em recente artigo que nos últimos anos Obama "conseguiu consideráveis avanços" no desmantelamento do núcleo dirigente da Al Qaeda no Paquistão com a morte de Osama bin Laden e de muitos de seus principais tenentes.

Mas a Al Qaeda no Paquistão "está incrustada em uma profunda rede de grupos de apoio", incluindo os talibãs, e a retirada das tropas da Otan do vizinho Afeganistão, prevista para o final de 2014, pode dar à rede uma oportunidade de "regeneração", advertiu Riedel.

Enquanto isso, a Al Qaeda já recuperou forças no Iraque, com ataques terroristas que mataram só em julho mais de 500 pessoas, e estendeu seus tentáculos rumo à Síria e começa a ter influência no Líbano.

Em discurso sobre suas políticas para a luta antiterrorista, Obama pediu o "término da tarefa de derrotar a Al Qaeda e suas forças associadas". Segundo o presidente, o grupo terrorista e seus afiliados "tentam entrar em alguns dos lugares mais afastados e implacáveis da Terra".

O presidente americano alertou que, apesar de Bin Laden estar morto, os Estados Unidos "continuam ameaçados por terroristas".

"Ameaças às instalações diplomáticas e às empresas no exterior. Extremistas caseiros. Esse é o futuro do terrorismo", afirmou Obama, ao lembrar o ataque contra o consulado americano em Benghazi, na Líbia, em 11 de setembro de 2012, que matou o embaixador Chris Stevens e outras três pessoas.

EFE   
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