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EUA se dizem preocupados com ataques à imprensa no Egito

2 fev 2011
13h22
atualizado às 13h51

Os Estados Unidos estão inquietos "com as detenções e ataques" à imprensa que cobre a crise egípcia, declarou nesta quarta-feira o porta-voz da diplomacia americana.

"Estamos preocupados com as prisões e os ataques contra os veículos de informação no Egito. A sociedade civil que o Egito quer construir inclui uma imprensa livre", escreveu Philip Crowley.

Nesta quarta-feira, o canal catariano Al-Jazeera informou que seus programas, que já haviam deixado de ser transmitidos por um satélite egípcio, também estão sofrendo interferências em satélites controlados por outros países árabes.

Também hoje, durante os enfrentamentos entre partidários e opositores do presidente Hosni Mubarak, a rede CNN informou que o jornalista Anderson Cooper foi agredido por manifestantes pró-governo. "Anderson disse que ele foi socado dez vezes", relatou Steve Brusk, da rede americana.

Protestos convulsionam o Egito
Desde o último dia 25 de janeiro - data que ganhou um caráter histórico, principalmente na internet -, os egípcios protestam pela saída do presidente Hosni Mubarak, que está há 30 anos no poder. No dia 28 as manifestações ganharam uma nova dimensão, fazendo o governo cortar o acesso à rede e declarar toque de recolher. As medidas foram ignoradas pela população, mas Mubarak disse que não sairia. Limitou-se a dizer que buscaria "reformas democráticas" para responder aos anseios da população a partir da formação de um novo governo.

A partir do dia 29, um sábado, a nova administração foi anunciada. Passaram a fazer parte dela o premiê Ahmed Shafiq, general que até então ocupava o cargo de Ministro da Aviação Civil, e o também general Omar Suleiman, que reinaugurou o cargo de vice-presidente, posto inexistente no país desde 1981. A medida, mais uma vez, não surtiu efeito, e os protestos continuaram. No domingo, o presidente egípcio se reuniu com militares e anunciou o retorno da polícia antimotins. A emissora Al Jazeera, que vinha cobrindo de perto os tumultos, foi impedida de funcionar.

Enquanto isso, a oposição seguiu se organizando. ElBaradei garantiu que "a mudança chegará" para o Egito. Já o principal grupo opositor, os Irmãos Muçulmanos, disse que não iriam dialogar com o novo governo. Na terça, dia 1º de fevereiro, dezenas de milharesde pessoas se reuniram na praça Tahrir para exigir a renúncia de Mubarak. A grandeza dos protestos levou o líder egípcio a anunciar que não participaria das próximas eleições, para delírio da massa reunida no centro do Cairo. Apesar dos últimos protestos terem sido pacíficos, a ONU estima que cerca de 300 pessoas já tenham morrido no país desde o início dos protestos.



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