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EUA defende programas de espionagem diante da indignação europeia

1 jul 2013 17h16
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O governo americano e o presidente Barack Obama defenderam nesta segunda-feira seus polêmicos programas de espionagem, que cruzaram fronteiras e afetaram a União Europeia (UE), a ONU e outros países como Japão e México, diante da indignação e da solicitação de informações de seus parceiros europeus.

Longe de tentar encontrar desculpas, tanto Obama como o secretário de estado John Kerry deram a entender que essa espionagem das comunicações não é incomum e que muitos outros países também a praticam.

"Todos os serviços de inteligência", nos EUA, na Europa e na Ásia "tentam entender melhor o mundo e o que está acontecendo nas capitais (...) através de fontes que não estão disponíveis no New York Times ou na NBC News", argumentou Obama, que está na Tanzânia devido à sua viagem pela África.

"Garanto que nas capitais europeias há quem esteja interessado, talvez não no que tomei no café da manhã, mas sim em quais são meus principais temas de conversa quando me reúno com seus dirigentes", acrescentou em entrevista coletiva com o presidente tanzaniano, Jakaya Kikwete, em Dar es Salaam.

O escândalo da espionagem começou há algumas semanas quando Edward Snowden, ex-técnico da CIA e da Agência de Segurança Nacional (NSA), revelou aos jornais "The Guardian" e "The Washington Post" a vigilância realizada pelo governo dos EUA aos registros telefônicos e dados de internet de milhões de seus cidadãos para espionar contatos no exterior com suspeitos de terrorismo.

Mas a polêmica cresceu por causa das últimas revelações de Snowden sobre a espionagem dos EUA a União Europeia (UE), - principalmente a Alemanha -, ONU e 38 embaixadas de países como Japão e México.

Obama afirmou hoje que seu governo está revisando as acusações de espionagem a países aliados e prometeu proporcionar a essas nações "toda a informação" que precisarem.

"Os Estados Unidos responderão oportunamente pelos canais apropriados", comentou de Washington um porta-voz do departamento de Estado, Patrick Ventrell, que acrescentou que serão levadas em conta as "preocupações" dos países supostamente vigiados.

Enquanto isso, Kerry minimizou a importância das acusações de espionagem na Europa após sair de uma reunião com a chefe da diplomacia europeia, Catherine Asthon, em Brunei.

"Todos os países do mundo que participam dos assuntos internacionais adotam muitas medidas para proteger a segurança nacional (...) Não é algo incomum para muitas nações", justificou Kerry.

Por outro lado, Obama também confirmou hoje que os Estados Unidos estão mantendo "conversas de alto nível" com a Rússia para conseguir a extradição de Snowden, que está na zona de trânsito do aeroporto internacional de Sheremetyevo em Moscou desde o dia 23 de junho.

Obama e o presidente russo, Vladimir Putin, encarregaram seus serviços de segurança de encontrar uma solução para o caso de Snowden, anunciou hoje Nikolai Patrushev, secretário do Conselho de Segurança da Rússia.

Acusado de espionagem pelos EUA, Snowden pediu asilo ao Equador, que estuda o caso, e também à Rússia, conforme foi divulgado hoje.

Kim Shevchenko, cônsul russo no aeroporto internacional de Sheremetyevo, afirmou à agência "Interfax" que Sarah Harrison, ativista do Wikileaks, apresentou às autoridades consulares russas o pedido de asilo de Snowden na noite de ontem.

Pouco antes, Putin havia afirmado em entrevista coletiva que se Snowden quiser ficar na Rússia, terá que pôr fim a suas atividades que contrariam os interesses dos Estados Unidos.

Além disso, Snowden se reuniu hoje de manhã no aeroporto de Moscou com funcionários da diplomacia russa e lhes entregou uma lista com 15 países para solicitar asilo político, de acordo com o jornal "Los Angeles Times".

EFE   
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