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Obama revisita esperança e diz que "o melhor está por vir"

7 nov 2012
04h36
atualizado às 13h31
FELIPE SCHROEDER FRANKE

Desafiado por Mitt Romney e envolto em incertezas pelo seu desempenho à frente da Casa Branca, Barack Obama precisou adaptar seu discurso e defender com o legado dos seus quatro anos no comando dos Estados Unidos para sagrar-se reeleito à presidência americana. Mas ao subir no palco de Chicago na madrugada desta quarta-feira para discursar à animada multidão do Partido Democrata, Obama retornou à esperança, o tema central de sua vitória de 2008, para dar a receita do novo mandato em Washington (2013-2016).

"Nunca tive mais esperanças com relação ao futuro dos EUA", afirmou o presidente reeleito
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Foto: AP

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"Nós sabemos, em nossos corações, que o melhor está por vir", declarou Obama. "Sempre acreditei que esperança é aquela coisa teimosa que nos faz melhorar. (...) Estou mais inspirado que nunca". A esperança renovada do discurso do Obama reeleito ergue-se do mar de dúvidas e incertezas que a lentidão da recuperação econômica e os ataques da campanha do rival republicano despejaram sobre os leitos da esperança histórica que levou o democrata à presidência em 2008.

Uma vez renovado o espírito do grito primevo do "Sim, nós podemos", Obama, com a voz já rouca, reafirmou algumas das bandeiras tradicionais da política que ele e o Partido Democrata balançaram durante os anos de governo e os meses de campanha. "Nas próximas semanas e meses, quero trabalhar com líderes dos dois partidos para resolver nossos desafios. Temos trabalho a fazer", afirmou, em clara referência à necessidade de diálogo com os republicanos, que mantiveram o controle da Câmara de Deputados.

Na esteira da esperança que perpassa as cisões do bipartidarismo americano, Obama endossou o sonho da grandeza dos Estados Unidos. "Esse país tem mais riquezas que qualquer outra nação, mas não é isso que nos faz ricos. O que faz dos Estados Unidos um lugar excepcional são os laços que mantêm unida a nação mais diversa da terra", defendeu. "Amor, caridade, dever e patriotismo: é isto que torna os Estados Unidos grandiosos."

Reforçando a necessidade de diálogo político, Obama informou que ligou para Romney para parabenizá-lo por uma campanha "dura". "Espero falar com ele para vermos como podemos trabalhar juntos para melhorar o país", declarou. Ele lembrou que, nos EUA, "nossas discussões são a marca da nossa liberdade", e parabenizou todos que participaram do processo eleitoral. "Tenha você votado em Obama ou em Romney, você fez com que sua voz fosse ouvida e você fez a diferença. (...) Nós somos uma família americana e nós nos erguemos e caímos como uma nação."

Em 2008, Obama falou para uma multidão de cerca de 240 mil pessoas no Grant Park de Chicago, marcando sua vitória histórica sobre o republicano John McCain. Este ano, ele escolheu um centro de convenções, o McCormick Place, com capacidade para 18 mil pessoas.

A capacidade do local não foi a única mudança em relação a quatro anos atrás. As filhas de Obama estão bem maiores, o cabelo do presidente ficou grisalho, e o aspecto histórico de sua eleição foi menos acentuado do que em 2008. A multidão, no entanto, estava tão entusiasmada como há quatro anos.

Família
Sem se aprofundar em temas específicos - mas fazendo menção específica à "ameça destrutiva de um planeta em aquecimento" -, Obama agradeceu à equipe de campanha, à família e a todo o povo americano que, tal como pediu, acreditou no presidente democrata mais uma vez. "Obrigado por acreditar durante todo o período. Vocês me ergueram, e seu sempre serei grato".

À mulher, Michelle, o presidente ainda dedicou palavras de carinho. "Michelle, nunca te amei mais do que agora", disse. Sobre suas filhas, Sasha e Malia, afirmou: "estão crescendo para se transformarem em duas mulheres fortes, inteligentes e bonitas, como sua mãe".

Reformas
Entre as tarefas pendentes, o presidente citou a redução do déficit e a reforma tributária. Ele ainda admitiu que entre os "muitos desafios" está a mudança no sistema imigratório, em um país com mais de 11 milhões de ilegais, a maioria latinos. "Acreditamos em um país generoso, compassivo, tolerante, aberto aos sonhos da filha de um imigrante que estuda em nossas escolas e jura lealdade a nossa bandeira", disse.

O governo de Obama emitiu uma norma em junho que suspendeu as deportações de jovens estudantes sem documentos, mas não conseguiu concretizar uma reforma migratória integral que abra caminho para regulamentar os ilegais, uma de suas promessas em 2008.

A vitória final de Obama estampa números fortes: de acordo com os números estimados até as 10h da manhã desta quarta-feira (ainda não há números oficiais sobre o pleito), Obama detinha 303 votos no Colégio Eleitoral contra 206 de Romney. Sua vitória ocorre também nos votos populares, ainda que com margem menor: são 59,1 milhões (50%) contra 56,7 milhões (48%). Trata-se de uma vitória sólida, embora menos larga que a de 2008; na ocasião, Obama derrotou John McCain, também do Partido Republicano, por 365 a 173 no Colégio Eleitoral e 69,4 milhões a 59,9 milhões nos votos totais.

Fonte: Terra

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