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NY: cidade comemora eleição de Obama como se fosse "título"

7 nov 2012
10h59
atualizado às 13h24
Allan Brito
Direto de Nova York

Comemorações e vaias barulhentas, um grande telão e centenas de pessoas de olho nele, quase sem piscar. Mais tarde, com a vitória consolidada, gritos de guerra, "buzinaço" e muita festa com bandeiras e cartazes. No Brasil poderia ser a festa da torcida de algum time grande, após o título em um campeonato de futebol. Mas em Nova York foi assim que boa parte da população acompanhou a apuração das eleições presidenciais. O resultado não poderia ter agrado mais os nova-iorquinos: Barack Obama venceu e era disparado o candidato preferido dessa torcida.

Na Times Square, em Nova York, população acompanha o discurso da vitória de Barack Obama
Na Times Square, em Nova York, população acompanha o discurso da vitória de Barack Obama
Foto: Getty Images

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O Estado de Nova York tradicionalmente costuma apoiar os candidatos democratas. E nesta eleição não foi diferente: era difícil achar eleitores de Romney, mas fácil reconhecer os fãs de Obama na Times Square ou no Rockefeller Center - estes dois pontos turísticos de Nova York tiveram festas promovidas por redes de televisão e foram os principais centros políticos da cidade, na noite desta terça-feira.

Eram duas festas que tinham suas atrações à parte da votação, como a distribuição de cachorros-quentes, café e água na Times Square, organizada pela rede de notícias CNN. Mas o foco era na questão política: os americanos estavam concentrados na transmissão que passava em um telão gigante, no qual eram apresentados os resultados e as análises. Tudo era acompanhado com atenção pela maioria dos presentes.

O foco dos eleitores só mudava quando a transmissão da CNN mostrava a Times Square ao vivo. Então vinham gritos, bandeiras balançadas e todos davam tchau para a câmera. Mas rapidamente a maioria se calava e ficava atenta aos resultados. Se era favorável a Obama, todos aplaudiam. Se era favorável a Romney, a vaia era certa também.

Pessoas de diferentes estilos e classes sociais formaram uma incrível unanimidade. "Obama vai vencer porque ele sabe olhar para todo mundo", palpitou o metalúrgico Matthew Pounds, de 35 anos, antes do resultado final da eleição. Já a engenheira Jane Holloway, 47, não estava tão confiante, mas também apoiava Obama: "está difícil, mas espero que ele vença, porque realmente não gosto do Romney. Na verdade eu odeio o Romney", contou ela, enquanto o candidato republicano ainda aparecia à frente na disputa.

A virada começou às 23h locais (2h de Brasília) e rapidamente o sentimento de confiança tomou conta da Times Square. O público ficou mais barulhento, deu menos atenção para a transmissão e se concentrou na festa. Cerca de 15 minutos depois, a vitória de Obama foi confirmada, já que ele atingiu os 274 votos indiretos, por Estado. Vieram mais gritos e comemorações, acompanhado por "buzinaços" dos taxistas que passavam por ali. A incerteza virou festa rapidamente e fez a Times Square ficar mais democrata do que nunca.

Mas logo os nova-iorqunios voltaram a ficar em silêncio novamente e ouviram a análise de que o senado também seria dominado pelos democratas. Mais um motivo para festa, mesmo que mais tímida. "Obama não pode governar sozinho. Ele precisa desse apoio. Isso é tão importante quanto a vitória dele", comentou Steven Nailey, em uma rodada de amigos que acompanhou a apuração na Times Square e até se abraçou após a vitória de Obama.

Já no Rockefeller o público foi menor, mas a empolgação foi maior. Mesmo meia hora depois do anúncio do resultado, ainda era possível encontrar democratas fazendo gritos de guerra no local. "USA", "Obama" e "yes, we did" (sim, nós fizemos) - em referência à campanha de 2008, "yes, we can (sim, nós podemos) - eram as 'músicas' mais comuns exaltadas pelos mais empolgados.

O cenário providenciado pela televisão NBC era impressionante: no GE Building, prédio gigante e simbólico de Manhattan, havia duas gruas, cada uma com o nome dos candidatos. Elas subiam pela fachada do prédio e levavam uma bandeira grande da cor de cada partida. Após o resultado, a grua azul de Obama atingiu o ponto onde estava um telão e também outra bandeira, com a inscrição '270', o mínimo de votos eleitorais necessários para um presidente se eleger atualmente nos Estados Unidos. Além disso, na pista de patinação havia um grande mapa dos EUA, colorido de azul ou vermelho, de acordo com os resultados das eleições.

A festa nos pontos turísticos tomou conta da madrugada e causou até trânsito em Nova York, mesmo depois da meia-noite. O que provou mais uma vez como a cidade realmente é um grande centro de apoio aos democratas. Se o país realmente está dividido, como mostra o resultado da votação popular, os nova-iorquinos mostraram de novo, nesta terça-feira, que já escolheram um lado. E ele é completamente azul.

Fonte: Especial para Terra

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