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Debates acirram disputa e refinam diferenças entre Obama e Romney

23 out 2012
19h34
atualizado em 24/10/2012 às 10h26
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Encerrou-se na noite desta segunda-feira (madrugada de terça em Brasília) o ciclo dos debates dos dois principais candidatos à presidência dos Estados Unidos em 2012. Nos três encontros realizados ao longo de três semanas, o presidente democrata e candidato à reeleição, Barack Obama, e seu rival republicano, Mitt Romney, finalmente colocaram-se frente a frente, desafiando um ao outro em meio a perguntas de moderadores e eleitores.

Obama e Romney cumprimentam plateia após o fim do último debate presidencial da campanha de 2012
Obama e Romney cumprimentam plateia após o fim do último debate presidencial da campanha de 2012
Foto: AP

Em termos práticos, os debates de Denver, Hempstead e Boca Ratón serviram ao acirramento da disputa. A diferença confortável que Obama mantinha sobre Romney (em torno de 49 a 46%) foi anulada pelo forte desempenho do republicano no primeiro round, e a recuperação do democrata nos seguintes estancou o sangramento a ponto de deixá-los tecnicamente empatados no patamar dos 47% das intenções de voto.

Em termos ideológicos, os debates refinaram as diferenças entre os candidatos. Discordâncias ficaram claras nas discussões envolvendo a recuperação econômica, ao passo que temas centrais à agenda internacional, como Israel e Irã, mostraram certa concordância entre ambos. No entanto, talvez mais que posições diferentes já previamente conhecidas, os debates enunciaram diferenças de postura pessoal e de visão de mundo de Romney e Obama, cada qual mantendo um entendimento sensivelmente diferente do papel da Casa Branca nos Estados Unidos e dos Estados Unidos no mundo.

Denver: a ofensiva de Romney
No primeiro debate, travado na Universidade de Denver (Colorado), Romney surpreendeu Obama e o os Estados Unidos ao adotar uma estratégia extremamente ofensiva e segura, que desarmou o presidente, amplamente derrotado no embate. Romney conseguiu se defender das acusações de que seu plano de corte de gastos é inviável, ao passo que Obama se mostrou incapaz de defender o histórico de seu governo na área econômica. A apatia de Obama, que curiosamente não mencionou a grave gafe de Romney sobre os "47%" - parcela do eleitorado que seria dependente do governo Obama e, portanto, inútil à campanha republicana -,custou-lhe a liderança nas pesquisas.

Nova York: o presidente contra-ataca
Levado à situação de maior desconforto desde o início da campanha, Obama entrou no town hall montado para o debate na Hofstra Universtity para reverter a derrota sofrida em Denver. Agressivo, incisivo e por vezes mesmo irritado, o presidente mostrou-se firme e obteve maior êxito na dupla tarefa de desconstruir as teses de Romney e de defender sua administração. Pouco depois do debate, construído a partir de perguntas de eleitores indecisos presentes no auditório, Obama já era considerado o vencedor, e o resultado nas pesquisas veio alguns dias depois, impedindo o crescimento de Romney e deixando as sondagens de tendência de voto em empate técnico.

Boca Ratón: equilíbrio e impasse sobre política externa
Após dois intensos encontros marcados por protagonismos divididos, o terceiro e último debate de 2012 foi palco da apresentação de posições similares de Romney e Obama sobre política externa. Embora criticando o que considera ser uma política externa frágil de Obama, Romney defendeu medidas similares quando questionado sobre temas centrais como Irã e Israel. Ainda assim, nas entrelinhas dos discursos foi mais uma vez possível identificar duas visões de mundo radicalmente diferentes: do lado republicano, a defesa da retomada da posição de liderança dos Estados Unidos no mundo; do democrata, a crença de que o novo século XXI exige uma nova postura da Casa Branca.

A primeira pesquisa da Reuters/Ipsos divulgada depois do último debate indicava uma mínima vantagem de Obama sobre Romney (47 a 46%). A eleição está marcada para o dia 6 de novembro de 2012.

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Fonte: Terra
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