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Edward Snowden e a espionagem da NSA

12 jul 2013
16h37
atualizado em 4/12/2013 às 15h17
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No dia 6 de junho, o jornal britânico The Guardian começou a publicar uma série de reportagens sobre um esquema de espionagem em massa mantido pela Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA, na sigla em inglês). As denúncias, baseadas em documentos fornecidos por Edward Snowden, ex-funcionário do órgão, engendraram uma crise interna e internacional envolvendo o governo americano ao mesmo tempo em que o informante do caso vive a incerteza do próprio futuro.

<p>Snowden em hotel de Hong Kong, durante a entrevista ao Guardian</p>
Snowden em hotel de Hong Kong, durante a entrevista ao Guardian
Foto: AP

Os dados fornecidos por Snowden dão conta de que a NSA opera há anos um vasto esquema de espionagem de e-mails e ligações telefônicas operado em conjunto com empresas de telecomunicações. O cerne das denúncias é o PRISM, um programa de monitoramento em tempo real da circulação de informações na internet.

Snowden, um informata autodidata, trabalhou para a Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA, na sigla em inglês) e para a NSA em cargos ligados ao manejo e monitoramento de dados em sistemas complexos. Seu último emprego foi, segundo ele mesmo definiu, o de “analista de infraestrutura” na Booz Allen Hamilton, uma empresa de informática contratada pela NSA.

<p>Lindsay Mills, a namorada de Snowden</p>
Lindsay Mills, a namorada de Snowden
Foto: L's Journey / Reprodução

Ele morava no Havaí com a namorada e vivia uma vida confortável com um salário de dezenas de milhares de dólares quando, no dia 20 de maio de 2013, após três meses de trabalho na Booz Allen, viajou para Hong Kong com o pretexto de passar por um tratamento contra epilepsia. Foi neste território chinês que Snowden foi visitado e forneceu as informações aos jornalistas Glenn Greenwald (The Guardian), Barton Gellman (Washington Post) e Laura Poitras.

Desenvolvimento e repercussão
As reportagens baseadas nas informações de Snowden se multiplicaram e reverberaram no mundo. Internamente, o presidente Barack Obama defendeu o uso programa em defesa da segurança americana e garantiu a privacidade da sociedade (“ninguém está ouvindo suas conversas”, afirmou o democrata numa frase famosa). O general Keith Alexander, chefe da NSA, disse que o programa PRISM ajudou a evitar dezenas de ataques terroristas e criticou Snowden por danificar de modo “significante” e “irreversível” a segurança dos EUA.

O general Keith Alexander, diretor da NSA, durante audiência no senado dos Estados Unidos: defesa da vigilância
O general Keith Alexander, diretor da NSA, durante audiência no senado dos Estados Unidos: defesa da vigilância
Foto: AP

Fora dos Estados Unidos, a onda seguia seu curso. Com base em Snowden, a revista alemã Der Spiegel noticiou que a inteligência americana espionou missões diplomáticas da União Europeia, gerando forte criticismo de líderes europeus contra Washington. Mais tarde, foi a vez do jornal brasileiro O Globo publicar que os EUA espionaram milhões de e-mails e ligações de brasileiros, gerando semelhante atrito diplomático.

Snowden revelou que aceitou o emprego na Booz Allen com o intuito de obter mais informações sobre a espionagem. Ele estaria há tempos planejando divulgar os dados da NSA, mas teria esperado o desenvolvimento do governo Obama para ver se a administração do democrata mudaria o esquema de espionagem montado durante a era Bush. Não notando mudanças, resolveu agir naquilo que, admitiu, provavelmente poria um fim à sua vida tal como a conhecia.

Pressão, atritos e busca por asilo
É a situação atual. O ex-analista foi a Hong Kong, onde permaneceu de 20 de maio até 23 de junho. Durante este período, os EUA pressionaram a China pela sua extradição, sem sucesso. Snowden também tentou obter asilo na Islândia, país com o qual sente “afinidade”, mas Reykyavik afirmou que a legislação islandesa impede que o país dê asilo a um indivíduo que faça o pedido fora de seu território nacional.

<p>Snowden, durante a reunião no aeroporto Sheremetievo, em Moscou</p>
Snowden, durante a reunião no aeroporto Sheremetievo, em Moscou
Foto: Human Rights Watch / Divulgação

No dia 14 de junho, a Justiça dos EUA acusou Snowden de roubo de propriedade do governo, comunicação não-autorizada de informação da Defesa Nacional e comunicação deliberada de inteligência secreta para pessoa não autorizada. Nove dias depois, ao mesmo tempo em que os EUA revogavam seu passaporte, Snowden viaja à Rússia acompanhado de Sarah Harrison, assistente do WikiLeaks.

Desde então, Snowden se encontra na zona de trânsito do aeroporto Sheremetyevo, em Moscou. Segundo informou o WikiLeaks, Snowden pediu asilo a 26 países. A maioria negou ou declarou ser impossível aceitá-lo, entre eles o Brasil. Três mostraram-se favoráveis (Nicarágua, Venezuela e Bolívia), mas o ex-analista da inteligência americana ainda não aceitou nenhuma das três ofertas. Ele acusa o governo dos EUA de pressionar os países a não negar-lhe o asilo.

De modo similar, no dia 2 de julho, o avião que trazia o presidente boliviano, Evo Morales, de uma viagem à Rússia foi obrigado a pousar na Áustria depois de Portugal, França, Itália e Espanha negarem-lhe passagem ou pouso para reabastecimento por suspeita de que Snowden estivesse a bordo. A suspeita teria sido plantada pela diplomacia americana. O informante não estava a bordo do avião.

<p>Logo do PRISM, programa de espionagem no cerne das denúncias contra a NSA</p>
Logo do PRISM, programa de espionagem no cerne das denúncias contra a NSA
Foto: Reprodução

Fonte: Terra

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