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Diplomata líbio: oposição não aguardará a saída de Kadafi

1 mar 2011
17h41
atualizado às 18h43

O governo de transição formado pela oposição da Líbia começará a trabalhar no país, apesar de Muammar Kadafi se negar a deixar o poder, afirmou nesta terça-feira um diplomata líbio na ONU. No entanto, ainda serão necessárias várias semanas para obrigar o dirigente líbio, cada vez mais pressionado, tanto pela oposição quanto pela comunidade internacional, a deixar o poder, advertiu Ibrahim Dabbashi, embaixador adjunto da Líbia nas Nações Unidas.

info infográfico líbia infromações sobre o país
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Foto: AFP

Dabbashi foi um dos primeiros diplomatas líbios a desertar para protestar contra a violenta repressão das forças do coronel Kadafi contra os opositores. A oposição líbia anunciou no sábado a formação de um Conselho Nacional Independente em Benghazi - segunda cidade do país, controlada pela oposição - encarregado de representar "todas as cidades libertas da Líbia". Este órgão será "a cara da Líbia durante o período de transição", declarou o porta-voz deste Conselho, Abdelhafez Ghoqa.

O governo de transição será formado "em breve" e começará a trabalhar embora Kadafi continue controlando a capital, disse Dabbashi. "Todo mundo apoia o governo de transição, que já tem o apoio do povo em todas as partes do país", afirmou. "Queremos que se instale o quanto antes a fim de assegurar o vínculo entre o povo líbio e o mundo exterior", acrescentou.

A respeito do reconhecimento internacional, Dabbashi afirmou que já começaram os contatos com as Nações Unidas. Ele explicou que a sede do governo se transição será em Bengasi e quando a capital for "libertada", será transferida para lá. Dabbashi disse, no entanto, que os exércitos estrangeiros deveriam permanecer fora da Líbia. "Se alguém puder ajudar os líbios a se desfazerem do regime de Kadafi será apreciado. Mas na Líbia há consenso nacional em considerar que não será aceita nenhuma intervenção estrangeira direta no campo", insistiu.

Líbios enfrentam repressão e desafiam Kadafi
Impulsionada pela derrocada dos presidentes da Tunísia e do Egito, a população da Líbia iniciou protestos contra o líder Muammar Kadafi, que comanda o país desde 1969. As manifestações começaram a tomar vulto no dia 17 de fevereiro, e, em poucos dias, ao menos a capital Trípoli e as cidades de Benghazi e Tobruk já haviam se tornado palco de confrontos entre manifestantes e o exército.

Os relatos vindos do país não são precisos, mas tudo leva a crer que a onda de protestos nas ruas líbias já é bem mais violenta que as que derrubaram o tunisiano Ben Ali e o egípcio Mubarak. A população tem enfrentado uma dura repressão das forças armadas comandas por Kadafi. Há informações de que aeronáutica líbia teria bombardeado grupos de manifestantes em Trípoli. Estima-se que centenas de pessoas, entre manifestantes e policiais, tenham morrido.

Além da repressão, o governo líbio reagiu através dos pronunciamentos de Saif al-Islam , filho de Kadafi, que foi à TV acusar os protestos de um complô para dividir a Líbia, e do próprio Kadafi, que, também pela televisão, esbravejou durante mais de uma hora, xingando os contestadores de suas quatro décadas de governo centralizado e ameaçando-os de morte.

Além do clamor das ruas, a pressão política também cresce contra o coronel Kadafi. Internamente, um ministro líbio renuncioue pediu que as Forças Armadas se unissem à população. Vários embaixadores líbiostambém pediram renúncia ou, ao menos, teceram duras críticas à repressão. Além disso, o Conselho de Segurança das Nações Unidas fez reuniões emergenciais, nas quais responsabilizou Kadafi pelas mortes e indicou que a chacina na Líbia pode configurar um crime contra a humanidade.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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