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16 de julho de 2009 • 12h10 • atualizado em 27 de Fevereiro de 2014 às 18h33

Dez anos da morte de Kennedy Jr. relembram tragédia familiar

John Kennedy Jr. presta continência em frente ao caixão do pai, em foto publicada na capa da revista Time Foto: Time / Reprodução
John Kennedy Jr. presta continência em frente ao caixão do pai, em foto publicada na capa da revista Time
Foto: Time / Reprodução
  • Ana Ávila
 

Há dez anos morria John Kennedy Jr., filho de um dos mais célebres presidentes americanos e membro de uma família assolada por tragédias. A morte de John-John, como era conhecido o herdeiro do ex-presidente, em um acidente aéreo foi o mais recente da série de momentos difíceis pelos quais passou a família ao longo das duas últimas gerações.

Ao mesmo tempo em que desfrutavam de fama e dinheiro, os Kennedy foram alvo do que o biógrafo Edward Klein chegou a classificar como uma "maldição" (no livro The Kennedy Curse). Mortes trágicas, atentados, acidentes e escândalos mantiveram a família nas páginas de jornais e revistas ao longo de décadas. A fortuna antecedeu a fama e teria sido acumulada, em sua maior parte, pelo patriarca Joseph Patrick Kennedy. Especula-se que a origem dos mais de US$ 100 milhões deixados por Kennedy ao morrer tenham origem no contrabando de bebida durante o período em que vigorou a Lei Seca nos Estados Unidos (1920-1933).

O primeiro acontecimento grave na vida dos Kennedy envolveu a filha Rosemary. Preocupado com os frequentes ataques epiléticos da jovem, Joe hospitalizou-a para uma lobotomia (intervenção cirúrgica no cérebro utilizada, na época, em pacientes com esquizofrenia), sem o conhecimento da mulher, Rose. A operação deixou Rosemary totalmente incapaz e ela acabou sendo internada definitivamente no Convento de Santa Coletta, em Wisconsin, onde morreu em 2005.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o casal Kennedy perdeu o primeiro filho, Joseph, morto enquanto pilotava um bombardeiro em uma perigosa missão, da qual tinha sido alertado para não participar. Joseph era o primogênito e em quem o pai apostava todas as fichas para seguir a carreira política e conquistar o posto almejado por ele: de presidente dos Estados Unidos. As chances de o pai tornar-se político tinham ido por água abaixo anos antes, quando ele ocupava o posto de embaixador americano na Grã-Bretanha. Às vésperas da Segunda Guerra, Kennedy aconselhou o governo americano a fazer um acordo com Adolf Hitler, levando todos a vê-lo como um simpatizante do nazismo.

Em 1948, Joe e Rose perderam o segundo filho. Um acidente aéreo na França tirou a vida de Kathleen. Considerada a filha rebelde, ela tinha cortado os laços com a família depois de desavenças com o pai.

Após a morte de Joe, o velho Kennedy depositou todas as suas esperanças políticas em John. O filho começou a percorrer o caminho rumo à Casa Branca depois que, em 1943, durante a Segunda Guerra Mundial, seu torpedeiro foi afundado por um destróier japonês e John, mesmo ferido, conduziu os sobreviventes até um local seguro. Considerado um herói de guerra, ele foi eleito membro da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos pelo Partido Democrata. Apoiado nas influências políticas dos avôs e do pai, John teve três mandatos na Câmara e um no Senado antes de chegar à presidência, como era o objetivo de seu pai.

John Kennedy era praticamente um ídolo quando foi assassinado, em 22 de novembro de 1963. A versão oficial diz que ele foi morto por Lee Harvery enquanto desfilava em carro aberto por Dallas, no Texas. Entretanto, há historiadores que sustentam a tese da conspiração, segundo a qual o então presidente teria contrariado profundamente os interesses de indústrias bélicas e de militares ao lutar pelo fim da corrida armamentista. Como resposta, industriais e militares poderosos teriam tramado a morte do presidente. Harvery chegou a ser preso uma hora após o crime com a arma que matou Kennedy. Ele confessou o assassinato, e foi morto na garagem da delegacia dois dias depois por um homem que disse querer vingar a morte de John.

Depois de se destacar como secretário de Justiça no governo do irmão, Robert Kennedy passou a aspirar também a Casa Branca. Porém, Bob teve menos tempo do que o irmão até que outro atentado misterioso tirasse a sua vida. Ele estava em meio à campanha para a indicação democrata para concorrer à presidência quando foi assassinado, em um hotel de Los Angeles. Robert tinha acabado de vencer as primárias na Califórnia defendendo, em especial, um discurso anti-guerra. Um ano depois de Bob, em 1969, morreu o patriarca dos Kennedy. Vítima de acidente vascular cerebral, sofrido oito anos antes, Joe assistiu mudo à morte dos dois filhos.

Pouco depois da morte de Bob, Edward, irmão mais novo que também escolheu o caminho da política e ainda hoje ocupa o cargo de senador, envolveu-se em um acidente no qual morreu a sua secretária. Ele foi declarado culpado de homicídio por imprudência e viu terminarem suas chances de uma possível disputa pela Casa Branca.

A geração seguinte não livrou-se da maldição dos Kennedy. Em 1973, o filho mais velho do senador, Ted, precisou amputar uma perna em conseqüência de um cancro. O outro filho do político, Patrick, embora tenha seguido a carreira política, abandonou qualquer ambição presidencial ao ser submetido a um tratamento para superar o vício pela cocaína.

William, filho de Jean, foi acusado de estupro em 1991. No julgamento, outras três testemunhas também disseram ter sido atacadas por William, mas o júri o absolveu.

Os filhos de Robert não tiveram destino diferente. Joe II foi responsabilizado por um acidente aéreo que deixou a namorada de seu irmão David paralítica. David morreu de overdose em um hotel de Palm Beach, após uma série de internações e reclamações da falta de atenção que recebia da família. Já Michael morreu em um acidente de esqui em Aspen, diante de seus três filhos, meses após a descoberta de um romance com a babá das crianças acabar com seu casamento.

O último a perder a vida de maneira trágica foi John-John, filho de John e Jacqueline Kennedy. Considerado tão ou mais conquistador do que o pai - que entre outros romances famosos, teria se envolvido com Marlin Monroe -, o filho do ex-presidente era tido como um milionário bonito e simpático. Julia Roberts, Daryl Hannah e Madonna são citadas como algumas das mulheres que se envolveram com o milionário, antes dele se casar com a relações públicas Carolyn Bessette.

Tratado pelos tablóides como o príncipe da América, John-John estava freqüentemente nas páginas dos principais jornais e revistas do país. Embora sem herdar a mesma aptidão política do pai e de outros membros da família, entrou para a memória dos americanos aos bater continência no funeral do pai, quando ainda era uma criança. Formado em direito, John Kennedy Jr. desistiu da carreira jurídica depois de ser reprovado três vezes num concurso para promotor-assistente e acabou por fundar uma revista de política, a George.

John-John, a mulher e a cunhada viajavam no avião pilotado por ele com destino à ilha de Martha's Vineyard (propriedade da família) quando a aeronave caiu no Oceano Atlântico, em circunstâncias não esclarecidas. Nenhum dos ocupantes do monomotor sobreviveu. Anos após o acidente, o jornalista Edward Klein contou em um livro que o herdeiro dos Kennedy estava morando em hotel, separado da mulher. Conforme teria confidenciado a amigos, o casamento teria sido arruinado, em especial, pelo vício em drogas da mulher. O casal só teria embarcado no mesmo avião por insistência de Lauren, irmã de Carolyn, para ir a um casamento, onde pretendiam continuar mantendo as aparências.

Redação Terra