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Como Edward Snowden escapou de ser processado pelos EUA

1 ago 2013
13h43
atualizado às 14h00

O ex-prestador de serviço foragido da agência de espionagem norte-americana, Edward Snowden, saiu discretamente do aeroporto moscovita Sheremetyevo, nesta quinta-feira, depois de a Rússia lhe conceder um asilo provisório, pondo fim a mais de um mês no limbo na área de trânsito.

A Rússia disse que não entregaria Snowden aos Estados Unidos, onde ele é procurado por acusações de espionagem depois de ter revelado detalhes dos programas de vigilância secreta do governo. O caso deixa ainda mais tensa a relação entre Washington e Moscou.

20 de maio - Snowden parte do Havaí rumo a Hong Kong.

1o de junho - Snowden oferece detalhes dos programas norte-americanos de espionagem ao jornal britânico Guardian. As reportagens são publicadas na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, inclusive a existência do programa Prism e uma ordem judicial para obrigar a empresa de telecomunicações Verizon a entregar registros telefônicos de milhões de norte-americanos.

9 de junho - Snowden aparece ao público. 23 de junho - Snowden chega ao aeroporto Sheremetyevo com Sarah Harrison, uma pesquisadora da área legal britânica do grupo WikiLeaks.

24 de junho - Snowden reserva um lugar em um voo da Aeroflot para Havana, mas não embarca. 25 de junho - Presidente Vladimir Putin diz que Moscou não o entregará aos Estados Unidos. A Casa Branca insiste que a Rússia expulse Snowden sem demora.

26 de junho - O Departamento de Justiça dos EUA acusa Hong Kong de fingir confusão com o nome do meio de Snowden para não detê-lo em maio.

27 de junho - A China responde acusando os Estados Unidos de hipocrisia na área de cibersegurança, baseada nas revelações de Snowden da atividade da Agência Nacional de Segurança dos EUA na China.

1o de julho - Putin dá a entender que Snowden pode ficar na Rússia se parar de "atormentar nossos parceiros americanos". Snowden diz que é livre para continuar revelando dados que "servem ao interesse público" e busca asilo em vários países, inclusive na Rússia.

3 de julho - O avião do presidente boliviano, Evo Morales, é desviado quando volta para casa desde Moscou. Tem que fazer uma parada não programada na Áustria depois de haver "suspeitas infundadas" de que Snowden estaria a bordo.

5 de julho - o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, diz que vai oferecer asilo a Snowden. O nicaraguense Daniel Ortega diz que seu país pode conceder asilo "se as circunstâncias permitirem".

6 de julho - Morales da Bolívia diz que daria asilo a Snowden se lhe for pedido. 15 de julho - Putin diz ver sinais de que Snowden está parando "sua atividade política" contra os Estados Unidos.

16 de julho - o advogado russo Anatoly Kucherena diz ter entrado com um pedido de asilo temporário na Rússia. A Casa Branca reitera que Snowden deve ser devolvido aos Estados Unidos para enfrentar julgamento.

17 de julho - Putin indica de que não quer interromper as relações com Washington por causa do destino de Snowden.

24 de julho - Um funcionário do aeroporto diz que o serviço federal de imigração russo deu documentos a Snowden permitindo que ele saia do aeroporto.

1o de agosto - Snowden deixa o aeroporto depois de receber asilo temporário na Rússia. O documento expira em 31 de julho de 2014.

O assessor-sênior de política externa de Putin diz que o caso Snowden é insignificante demais para prejudicar os laços bilaterais com os Estados Unidos, e que o Kremlin não recebeu sinais de que o presidente norte-americano, Barack Obama, iria cancelar uma visita planejada para Moscou em setembro por causa do caso.

(Reportagem de Alexei Anishchuk e Gabriela Baczynska)

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