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Após Katrina, Nova Orleans deve seu renascimento aos latinos

30 jul 2013 06h07
| atualizado às 07h55
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Exército patrulha o devastado centro de Nova Orleans em setembro de 2005, dias após a passagem do Katrina
Exército patrulha o devastado centro de Nova Orleans em setembro de 2005, dias após a passagem do Katrina
Foto: Getty Images

A emblemática cidade Nova Orleans, no sul dos Estados Unidos, avança em seu renascimento graças ao trabalho dos imigrantes latinos, a pouco mais de um mês do oitavo aniversário do furacão Katrina, que em 12 horas transformou o lugar em ruínas, causou mais de 1,7 mil mortes e deixou centenas de milhares de desabrigados. Às margens do rio Mississipi e ao sul do lago Pontchartrain, a cidade conhecida como Crescent City e The Big Easy está em dívida com os hispânicos que contribuíram para sua diversidade, crescimento econômico e transformação.

O Conselho Nacional da Raça (NCLR), uma influente organização hispânica que data de 1968, escolheu Nova Orleans pela primeira vez para seu encontro anual de quatro dias, para fazer notar a marca indelével dos latinos em sua reconstrução. Ao dar as boas-vindas no sábado a milhares de participantes de todo o país, o prefeito de Nova Orleans, Mitch Landrieu, disse que esta minoria foi uma peça chave para o enorme trabalho que deixou o "Katrina" após sua passagem no dia 29 de agosto de 2005. "A comunidade latina foi essencial para o ressurgimento da cidade após o Katrina. Nossa maior força provém da nossa diversidade", afirmou Landrieu.

O ressurgimento da cidade portuária segue uma simples realidade do mercado: nos EUA, cerca de um quarto dos trabalhadores da construção civil são de origem hispânica, e o "Katrina" criou uma forte demanda de trabalho. De fato, um estudo da Universidade Tulane e da Universidade da Califórnia em Berkeley determinou que em 2006 cerca de metade da mão-de-obra para a reconstrução de Nova Orleans era latina, e 54% deles na condição de imigrantes ilegais. Assim, os latinos foram uma espécie de equipe de resposta rápida.

"Em nível nacional, os latinos contribuem para o fortalecimento de nossa economia e, embora sempre houvesse uma conexão com latinos e a América Latina, esta região viu um aumento porque muitos latinos foram contratados no setor da construção para reconstruir Nova Orleans", disse à agência EFE Alicia Criado, assessora para assuntos de desenvolvimento econômico do NCLR.

"Os latinos não só estão mudando a demografia regional, mas estão aumentando a dependência por sua mão-de-obra. Uma firme liderança a favor de medidas que fomentem a integração dos latinos na região será essencial para que Nova Orleans possa continuar sua recuperação econômica", ressaltou.

Segundo a Prefeitura, o progresso é o "fio condutor" de Nova Orleans, que destinou US$ 14,5 bilhões para obras de infraestrutura, o fortalecimento de diques e medidas de proteção contra furacões. No entanto, um breve percurso pelo Distrito 8, onde vivem residentes de baixa renda, e o Distrito 9, cheio de mansões e amplos jardins, mostra o avanço desigual da reconstrução. Mesmo assim, o turismo retornou com força e em 2011 a cidade recebeu oito milhões de visitantes, que injetaram US$ 5 bilhões na economia local. 

Apesar de cerca de 20% dos desabrigados pelo Katrina não terem retornado - a maioria afro-americanos -, os latinos foram enchendo esses espaços. Segundo o Censo de 2012, os latinos são pouco mais de 5,2% do total de 369.250 habitantes da cidade, em comparação com 3,1% em 2000, e o aumento é ainda mais palpável em subúrbios como Kenner, - conhecido como "A pequena Honduras" -, onde os hispânicos passaram de 14% para 22% da população entre 2000 e 2010.

Com esse aumento - visível nas lojas e restaurantes ao longo de Williams Boulevard - floresceu a demanda por missas em espanhol, aulas de inglês, programas para crianças e serviços de assessoria em trâmites migratórios, entre outros.

A pluralidade étnica representa um desafio para uma cidade que agora enfrenta uma maior demanda por serviços médicos e sociais e, em alguns casos, atritos entre afro-americanos e hispânicos. Da mesma forma que Landrieu, o ex-prefeito de Nova Orleans e presidente da Liga Nacional Urbana, Marc Morial, apoia uma reforma migratória e vê sinais de esperança.

"Esta nação está a caminho de se transformar na maior democracia multicultural no mundo. E esse futuro não se deve temer, mas esta nação tem que abraçá-lo", enfatizou Morial, que fez um pedido para que se continue "construindo pontes" e "trabalhando como amigos".

EFE   
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