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Analistas: Al-Qaeda se tornou marca, mas não ameaça mais EUA

11 set 2010
08h03
atualizado às 12h38
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Luís Eduardo Gomes

Passados nove anos dos atentados que abalaram os Estados Unidos e o mundo em 11 de setembro de 2001, a rede terrorista Al-Qaeda ainda não foi extinta, mesmo com a caçada empregada pelo Exército americano ao seu líder, Osama bin Laden. Pelo contrário, os atentados teriam ajudado a disseminar a "marca" Al-Qaeda. Contudo, especialistas ouvidos pelo Terra divergem sobre a relevância que a organização possui no cenário atual.

Nove anos após o 11/9, analistas acreditam que a Al-Qaeda não representam mais uma grande ameaça aos EUA
Nove anos após o 11/9, analistas acreditam que a Al-Qaeda não representam mais uma grande ameaça aos EUA
Foto: AFP

Para o professor Arthur Lima de Ávila, doutor em História dos EUA pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a Al-Qaeda já não representa uma grande ameaça à segurança interna dos Estados Unidos. "Hoje em dia, tendo em vista todas as práticas que foram feitas pelos Estados Unidos para conter essa ameaça, ela diminuiu bastante".

David Fleischer, professor de relações internacionais da Universidade de Brasília (UNB), também não acredita que a Al-Qaeda ameace tanto os EUA. Para ele, os recursos disponíveis aos terroristas diminuíram, ocasionando a redução da presença da organização nos EUA, na Europa é na África, e restringindo seu alcance praticamente a apenas Afeganistão e Paquistão.

Contudo, para Pedro Paulo Funari, professor do departamento de História da Unicamp, a atuação da Al-Qaeda continua relevante no cenário contemporâneo. "É relevante considerando-se que, tanto no Afeganistão quanto no Paquistão, esses grupos que podem ser denominados com essa definição mais ampla de Al-Qaeda não só continuam ativos, como continuam causando destruição".

A "marca" Al-Qaeda
Funari explica que a nomenclatura Al-Qaeda atualmente representa mais um conceito do que uma organização. "Em um grupo de milhões de milhões de pessoas, se uma pessoa em mil resolver fazer um ataque, ele encontra guarida nessa ideologia revolucionária da Al-Qaeda", diz Funari. "Isso não necessariamente representa que exista um comando, mas é uma marca".

Segundo ele, as pessoas se juntam a partir de sentimentos comuns - especialmente a rejeição à dominação ocidental e à humilhação de muçulmanos - e "conseguem se organizar e realizar atentados com altíssima repercussão e altíssimo resultado de exposição".

O professor da Unicamp alerta que esse caráter descentralizado da organização dificulta a repressão a este "conceito" de organização terrorista. "Uma organização como a Al-Qaeda é dividida em células pequenas. É difícil saber o número de pessoas e qual o grau de conexão entre elas, que às vezes é muito tênue. Por isso, a ideia de que eles podem se extinguir ao se matar os líderes, é enganosa".

Para o professor, somente um acordo poderia cessar os ataque cometidos pela Al-Qaeda. Contudo, ele lembra que os Estados Unidos não estão dispostos a aceitar as exigências necessárias para que este acordo seja alcançado - a principal delas seria a retirada total das tropas ocidentais dos países árabes e muçulmanos.

Funari também afirma que a resposta ao 11 de setembro serviu para disseminar esta "marca" e para aumentar as fileiras de organizações armadas muçulmanas. "Já haviam sido feitos atentados menores, mas o 11 de setembro foi um catalisador, até porque a resposta americana e ocidental foi praticamente cair em uma armadilha", diz Funari. Para ele, as duas guerras que seguiram os atentados de 2001 (Afeganistão e Iraque) representaram uma "clara derrota" para os Estados Unidos, uma vez que a imagem do país sofreu um grande abalo desde o início dos conflitos. Além disso, ele afirma que a influência da Al-Qaeda e do Talibã nesses países só aumentou desde então.

Novos ataques
David Fleischer aponta que, depois de todos os investimentos feitos em segurança, os "americanos acham que essa ameaça (terrorista) já diminuiu". Apesar disso, Fleischel não descarta a possibilidade de ataques terroristas menores serem realizados em território americano. "Algum outro tipo de atentado, como explodir um trem, envenenar um sistema ar, ainda é possível, por isso que eles mantêm um sistema de vigilância", afirmou.

Ávila, por sua vez, defende a tese de que as minorias de extrema-direita atualmente representam uma ameaça de terrorismo dentro dos EUA maior do que a Al-Qaeda. "Acho que a grande ameaça a segurança dos Estados Unidos vem das milícias brancas de extrema-direita, racistas. Basta lembrar que o atentado de Oklahoma foi realizado por uma delas", disse o professor, lembrando o atentado realizado pelo americano Timothy McVeigh, no dia 19 de abril de 1995, em Oklahoma City, que deixou 168 mortos. Segundo ele, a atuação desses grupos ainda não foi totalmente reprimida.

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Fonte: Redação Terra
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