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"A cabeça do presidente explodiu": testemunhas relatam morte de JFK

21 nov 2013
14h38
atualizado às 14h42
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"Ouvimos um som de tiro e depois alguém gritou 'A cabeça do presidente explodiu!': testemunhas relataram à AFP como presenciaram o assassinato do presidente John F. Kennedy em Dallas, às 12h30 da sexta-feira 22 de novembro de 1963.

Kennedy é aclamado pela multidão ao deixar hotel, pouco antes de ser assassinado
Kennedy é aclamado pela multidão ao deixar hotel, pouco antes de ser assassinado
Foto: Reuters

James Tague, um vendedor de automóveis que tinha 27 anos, não pretendia acompanhar o comboio do presidente, mas seu carro ficou preso no engarrafamento, perto de Dealey Plaza e da Elm Street, no momento em que o Lincoln com Kennedy a bordo passou pelo local. Uma bala perdida o feriu levemente.

"Dei alguns passos, vi um carro com uma bandeira e lembrei que Kennedy viria à cidade naquele dia. Neste momento ouvi um barulho de tiro. Depois houve uma pausa e em seguida dois tiros, e algo raspou a minha bochecha direita. Um policial de moto parou perto da grama e duas pessoas falavam com ele. Eu cheguei no momento em que um homem dizia, soluçando: 'A cabeça explodiu, a cabeça explodiu'. 'A cabeça de quem?', perguntou o policial. 'Do presidente'".

Pierce Allman, diretor de programação da rádio WFAA, que então tinha 29 anos, havia decidido observar o cortejo do presidente e da primeira-dama Jacqueline Kennedy.

"Estava de pé, diante do edifício do depósito de livros. O cortejo chega e eu grito: 'Bem-vindo a Dallas, senhor presidente!' Jackie estava mais perto de mim. Usava aquele maravilhoso vestido rosado, saudava com a mão, JFK ajeitava uma mecha de cabelo".

"O veículo fez a curva da Elm Street e depois ouvi um 'bum', um som muito forte, não o som seco de uma arma de fogo. Penso em uma bomba e depois 'bum', um segundo disparo. Kennedy age como se levasse as mãos ao pescoço, Jackie começa a gritar e então, um terceiro disparo. Kennedy se sobressalta e cai de lado".

Hugh Aynesworth, que tinha 32 anos, jornalista da editoria de ciências no Dallas Morning News, estava muito contrariado por não participar na cobertura da visita presidencial. Perto do meio-dia, seguiu para a Dealey Plaza, decidido a participar por conta própria porque "nem todos os dias se vê um presidente".

"Estava lotado, as pessoas estavam entusiasmadas. Jackie estava radiante, JFK saudava. De repente ouço o que me pareceu um cano de descarga de moto, depois outros dois disparos, e aí tive certeza que eram tidos. Vejo que as pessoas esbarram umas contra as outras, algumas fogem, outras se jogam no chão protegendo os filhos. Há gritos, choro, a histeria se espalha em poucos segundos. O veículo se afasta de mim".

Para Phyllis Hall, uma enfermeira do Hospital Parkland, com 28 anos na época, a pausa do almoço foi muito diferente. Ela estava prestes a sair do centro médico quando recebeu a notícia.

"A supervisora nos disse que havia acontecido um acidente no cortejo presidencial e que e o carro com o presidente estava chegando. As portas se abrem imediatamente, reina o caos, há muitos gritos. Chega a maca com o governador do Texas, John Connally, gravemente ferido, depois a do presidente".

"Um homem com uma arma na mão me disse 'precisamos de você'. Quando entro na sala número 1 da emergência, a senhora Kennedy está de pé ao lado da maca. Na minha opinião, o presidente já estava morto, tinha uma cor cinza azulado, com um contorno azul escuro ao redor da boca. Busco os sinais vitais, não encontro nenhum".

"Os médicos chegam, fazem uma traqueostomia, colocam tubos. Não havia nada a fazer. Mais tarde um médico, neurocirurgião, afasta o cabelo, observa que faltam partes do cérebro, algumas estavam sobre Jackie, sobre os Connally, sobre a maca".

O paciente "N°24740, Kennedy, John F.", registrado às 12h38, é declarado morto às 13h".

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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