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Esquerdista se aproxima de líder das pesquisas no México

Por Mica Rosenberg e Miguel Gutierrez

CIDADE DO MÉXICO, 31 Mai (Reuters) - O candidato de esquerda à Presidência do México, Andrés Manuel López Obrador, reduziu a apenas quatro pontos percentuais a distância que o separa do favorito Enrique Peña Nieto, segundo uma nova pesquisa divulgada nesta quinta-feira pelo jornal Reforma.

López Obrador, que tinha 27 por cento em abril, passou para 34 por cento. Peña Nieto caiu de 42 por cento para 38 por cento, seu pior índice desde o início da campanha, em março. A eleição, em turno único, será em 1o de julho.

Peña Nieto é o candidato do Partido Revolucionário Institucional (PRI), que governou o México por 71 anos ininterruptos. López Obrador, ex-prefeito da capital, perdeu a eleição de 2006 por escassa margem, e em seguida comandou um prolongado movimento de protesto contra uma suposta fraude.

Josefina Vázquez Mota, candidata do governista Partido Ação Nacional, continua em terceiro lugar, caindo de 29 para 23 por cento das intenções de voto.

A redução da vantagem de Peña Nieto assustou os mercados, por gerar incertezas sobre a força do futuro governo, e ecoando os temores que López Obrador provocou na eleição passada.

A pesquisa foi feita entre os dias 24 e 27 de maio, e reflete os protestos das duas últimas semanas contra ele e seu partido, que reuniram milhares de pessoas na capital. Os organizadores convocaram mais passeatas para as próximas semanas.

"As variações no apoio refletem um mês de campanha que testemunhou a mobilização dos estudantes por informação e contra Enrique Peña, e a ascensão da corrupção na agenda pública", disse Alejandro Moreno, especialista em pesquisas do Reforma.

A margem de erro da pesquisa é de 2,9 pontos percentuais, o que significa situação de empate técnico entre os dois principais candidatos.

Outras pesquisas recentes continuam indicando amplo favoritismo do candidato do PRI. No levantamento feito entre 25 e 27 de maio pelo instituto Consulta Mitofsky, Peña Nieto tinha uma vantagem de 17,5 pontos percentuais, quando excluídos os eleitores indecisos.

Ao contrário do que ocorreu em 2006, López Obrador adotou um tom mais moderado na atual campanha, tentando reconquistar ex-simpatizantes que discordaram da sua insistência em contestar o pleito anterior. Além disso, ele tem também conseguido atrair a simpatia do crescente movimento juvenil contra Peña Nieto e o PRI.

"Peña está perdendo gás", disse López Obrador após ver a pesquisa. "Ele é o candidato da mídia, não do povo."

Muitos dos manifestantes criticam o apoio ostensivo dado pela rede de TV Televisa a Peña Nieto. As suspeitas de que um governador do PRI teria recebido dinheiro de traficantes no norte do México também têm abalado a candidatura dele.

Peña Nieto disse, no entanto, que continua confiante. "Vejo muitas pesquisas. Sem dúvida elas são um bom ponto de referência, mas nada além", afirmou ele após uma reunião com empresários em Cancún. "Vamos aceitar a pesquisa mais importante - a de 1o de julho."

(Reportagem adicional de Rachel Uranga, Dave Graham, Jean Luis Arce e Ioan Grillo)

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