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Quarta, 12 de novembro de 2008, 18h54 Atualizada às 19h19

'Obama não pode fracassar', diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, nesta quarta-feira, em Roma, que Barack Obama "não pode fracassar" quando assumir a presidência dos Estados Unidos.

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"Muitas pessoas dizem que os Estados Unidos estão quebrados, como diziam em 2002 quando eu fui eleito presidente do Brasil pela primeira vez. Uma pessoa que foi eleita como Obama foi, com as expectativas que despertou, não pode fracassar", declarou Lula aos principais jornais italianos.

Lula, que está desde segunda-feira em visita oficial à Itália, falou por telefone com Obama, na terça, sobre a crise financeira global.

"Se Obama fracassar, a frustração será tão grande, que serão necessários muitos séculos para que um negro seja de novo eleito presidente dos Estados Unidos", comentou.

"Obama, que me parece uma pessoa muito inteligente, está consciente de que, se não tomar medidas rapidamente para enfrentar a crise, as mesmas acusações que fizeram a George W. Bush recairão sobre ele", acrescentou.

"Além disso, ele conta com um grande capital político para tomá-las (as medidas), um capital que Bush talvez já não tenha", avaliou Lula.

O presidente brasileiro disse ainda que espera que Obama suspenda o embargo que pesa sobre Cuba há mais de 40 anos.

"Obama deve entender que não existe uma única razão para manter o bloqueio contra Cuba. Nenhuma razão. A Guerra Fria acabou, o Muro de Berlim caiu. Os Estados Unidos têm força política para cumprir esse gesto", afirmou.

O presidente Lula, que lidera o grupo de países emergentes na cúpula do Grupo dos 20 (G-20) que acontece sábado em Washington, à qual Obama não assistirá, antecipou que o Brasil "não fará pedidos específicos".

"Não vamos fazer pedidos específicos, porque já há dois anos que solicitamos aos líderes políticos que se reunissem para discutir os enormes problemas do mundo, assim como sobre o comércio mundial e os conflitos em curso", respondeu.

"Se os Estados Unidos tivessem ouvido os outros países, talvez não tivesse havido guerra no Iraque", exemplificou Lula.

"Acho, antes de tudo, que o sistema financeiro deva ser regulamentado e isso não se decide em uma única reunião", reiterou.

Lula, que na terça-feira conseguiu o apoio do chefe de governo italiano Silvio Berlusconi em sua busca por uma saída conjunta para a crise financeira, encontrou-se com os principais líderes sindicais e empresariais do país.

Nesta quarta-feira, a agenda foi menos apertada. De manhã, visitou a imponente sede renascentista da prefeitura de Roma, onde foi recebido pelo prefeito Gianni Alemanno, com quem conversou sobre os problemas que afligem as grandes cidades.

"O problema dos bairros periféricos, das favelas, resolve-se com a legalidade", defendeu Lula, na conversa com o novo prefeito da capital, líder da direita italiana, grupo que saiu vitorioso das urnas, superando a esquerda pela primeira vez em mais de 30 anos.

O presidente brasileiro também se reuniu com os líderes de esquerda do Partido Democrático, entre eles o secretário Walter Veltroni, que expressou seu total apoio à "construção de um novo sistema de governo mundial".

Lula termina sua visita à Itália e ao Vaticano, na quinta-feira, com um encontro com o Papa Bento XVI, na biblioteca particular do Pontífice.

Depois da audiência, Lula segue para Washington.

AFP

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