Eleições nos EUA

› Notícias › Mundo › Eleições nos EUA

Eleições nos EUA

Domingo, 9 de novembro de 2008, 22h45

Republicanos repensam partido após eleição

Danny Hakim

Os republicanos do Estado de Nova York, após uma noite dura de eleição na terça-feira, dizem estar cientes de que chegaram ao fundo do poço, ou quase isso. Agora, eles prometem reconstruir seu partido destroçado, cujo poder passou a ser quase irrelevante no apelidado Estado do Império.

"Estávamos cabisbaixos e choramos, outros estavam zangados e outros um pouco temerosos," disse Lynn Krogh, 27, ex-membro da equipe do governador George E. Pataki e presidente do Clube Republicano Juvenil de Nova York, descrevendo a festa da noite de eleição - se é que se pode chamar o evento de festa - na qual ela esteve com outras centenas de republicanos em Manhattan.

Guy V. Molinari, ex-presidente do bairro de Staten Island, brincou dizendo que sua reunião - "proibida para democratas" - foi "regada a bebidas" e contou com amigos que vieram ao seu condomínio assistir à apuração da eleição.

Joseph N. Mondello, chefe do partido republicano do Estado, assistiu à apuração da sede do partido no condado de Nassau e tentou manter a perspectiva.

"Já passei por momentos mais tristes," ele disse. Lembra-se de 64? E 74 também não foi nada fácil."

O quadro é certamente desolador. Os republicanos perderam controle do Senado estadual, que detinham desde meados dos anos 1960. O número de republicanos na Assembléia caiu para 41 dos 150 assentos na terça-feira, o mais baixo de todos os tempos.

Apenas três republicanos permanecem entre os 29 membros congressionais da delegação estadual. O partido não possui nenhum gabinete estadual. Pior, se as coisas não mudarem nas eleições de 2010, a redistribuição de distritos eleitorais poderá manter a vantagem democrata por anos.

"A questão é a reversão," disse Gerald Benjamin, professor de ciência política da Universidade Estadual de Nova York em New Paltz, em entrevista na semana passada. "Eles poderão voltar?"

Ele disse que os republicanos estavam no precipício do que ele chama "a 'Massachussificação' de Nova York." (Os democratas em Massachusetts controlam seis gabinetes estaduais, além da Câmara Estadual dos Representantes e do Senado estadual.)

"De vez em quando existem eleições acirradas no Estado, mas nada que impeça que o futuro lógico e previsível se realize na Legislatura de ambas as câmaras," Benjamin disse.

Os republicanos prometem se reagrupar. A resposta, disseram vários líderes de diferentes idades e localidades, já é familiar para qualquer partido com problemas.

Voltar às raízes, abraçar os valores essenciais do partido e recrutar uma nova geração de jovens líderes e eleitores.

Claro, há discordâncias. Alguns são a favor de uma inflexão à direita, enquanto outros, como Krogh, dizem que os republicanos de Nova York devem desenvolver uma estratégia mais inclusiva que atraia tanto os moderados quanto os conservadores.

Os republicanos do Senado estadual, que era o último reduto de poder após Pataki ter saído do cargo há dois anos, estão cada vez mais velhos; aproximadamente metade deles tem pelo menos 65 anos. Essa velha guarda sofreu um golpe quando dois legisladores republicanos veteranos, Caesar Trunzo, 82, de Long Island, e Serphin R. Maltese, 75, do Queens, foram derrotados na terça-feira.

Alguns vêem a perda do Senado estadual como libertadora. Para alguns conservadores, os senadores republicanos haviam cometido uma heresia ideológica ao agir à esquerda do governador David A. Paterson, um democrata, em assuntos fiscais. A imagem desses republicanos foi bastante abalada após defenderem o interesse de grupos como sindicatos de professores e de hospitais contra o corte orçamentário ameaçado pelos governadores democratas.

"Parece que, seguindo a filosofia de que você colhe o que planta, a colheita de Joe Bruno chegou," disse Robert Smith, ex-presidente do Partido Republicano no condado Onondaga, se referindo a Joseph L. Bruno, líder de longa data da maioria do Senado que renunciou neste verão americano. Na época, Smith hostilizou sua liderança no Senado.

"Não resta nenhuma orientação filosófica entre os senadores republicanos, talvez alguma, mas nenhuma com liderança," disse, acrescentando, "tudo gira em torno de como somos eleitos e como podemos contribuir mais." Mondello fez eco a essa idéia, dizendo que os candidatos republicanos precisavam marcar bem sua diferença com os democratas.

Ele disse que falava de modo geral e "não criticando o Senado." "O Partido Republicano é um corpo que tem escorregado," disse. "Precisamos sair da política do 'eu também'."

John McArdle, porta-voz do líder da maioria no Senado, Dean G. Skelos, disse, "considerando o tsunami de vitórias arrebatadoras dos democratas neste Estado e pelo país, nos saímos muito bem, principalmente ao norte.

"Todos concordam que precisamos de mudanças," disse, e continuou, "avançando, o que precisamos estabelecer este ano é a luta pela redução dos impostos, e o senador Skelos colocou a redução dos impostos sobre propriedades como prioridade ¿ esse é o imposto que os nova-iorquinos consideram mais oneroso e incômodo. Para além disso, é tudo uma questão de emprego e economia."

Muitos dos legisladores do norte do Estado acreditam que a geografia pode se tornar um assunto mais potente no futuro, agora que os legisladores da cidade de Nova York vão controlar o gabinete do governador, o Senado e a Assembléia.

"Nos próximos dois anos sairá um boletim para verificar se as necessidades do norte estão sendo contempladas," disse o senador Joseph A. Griffo, republicano de Rome, Nova York. "A preocupação é que um só partido dominando toda uma região não é saudável. Não reflete verdadeiramente o Estado."

Muito será determinado por quem se tornar o líder do partido - e concorrer para o executivo. Muitos oficiais do partido esperam que Rudolph W. Giuliani concorra a governador, porque poucos dos possíveis candidatos possuem o perfil para tal. Ele disse que considera um desafio contra Paterson, mas ainda precisa discutir publicamente se fará de fato isso.

Mondello, que também lidera o Partido Republicano do condado Nassau, disse que não tinha intenção de desistir após dois anos no cargo, apesar de haver rumores de que o partido precise de um novo começo.

"Não tenho nenhum problema particular com Joe Mondello, mas quando você olha para todo o Estado, e para o condado de Nassau, particularmente, quando vê o que está acontecendo por lá, dá vontade de chorar," disse Molinari, se referindo aos progressos democratas em um condado que já foi considerado o mais solidamente republicano da nação. "Gostaria de ver alguém novo, um rosto jovem, alguém agressivo" liderando o partido, acrescentou.

Krogh, que agora trabalha para o arquiteto Daniel Libeskind, disse, "a gente não precisa dos mesmos velhos dizeres de que eles vão construir o partido. "Com todo o respeito, estamos enfrentamos uma das maiores derrotas do partido em Nova York," ela disse. "Eles já deveriam estar construindo."

Amy Traduções

The New York Times

Busque outras notícias no Terra